O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que os Estados Unidos preparam um ataque contra seu país utilizando militares colombianos e com o pretexto de atingir acampamentos da guerrilha supostamente instalados em solo venezuelano.
Durante um ato militar, Chávez afirmou que a "guerra verbal" começou há poucos dias, quando integrantes do Governo colombiano voltaram a acusar a Venezuela de ter acampamentos da guerrilha e proteger líderes rebeldes.
"De tanto repetirem, há gente que acredita, e com isso preparam o que chamam de \'falso positivo\' para lançar um ataque sobre território venezuelano simulando a existência de um acampamento guerrilheiro", argumentou o presidente.
O "falso positivo" consistiria, segundo Chávez, em transferir para território venezuelano pessoas mortas na Colômbia, construir um acampamento improvisado, plantar fuzis e propaganda da guerrilha e apresentar isso ao mundo como a confirmação de suas denúncias.
Chávez ainda disse ter "evidências" desse plano e que essa operação está sendo preparada com a ação de aviões espiões e não tripulados que decolam de bases americanas na Colômbia e sobrevoam o espaço aéreo venezuelano.
No último dia 18, o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, disse que o Governo do país identificou 60 colaboradores diretos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em vários países do mundo, entre eles a Venezuela, onde haveria 15 rebeldes.
Chávez reiterou que é "absolutamente falso" que haja líderes ou acampamentos guerrilheiros na Venezuela.
O presidente venezuelano afirmou enfaticamente que seu Governo "não permitiu, nem permitirá, a presença de Forças Armadas no país que não sejam a Força Armada Nacional".
Chávez admitiu, no entanto, que eventualmente podem entrar em território venezuelano "guerrilheiros, paramilitares, traficantes ou terroristas" porque, segundo ele, é "impossível" evitar isso quando esses grupos "têm meio território da Colômbia".
"Os paramilitares, guerrilheiros, traficantes e terroristas vêm da Colômbia para cá, não vão daqui para lá", insistiu.
Para Chávez, um plano como o relatado por ele é possível porque o poder na Colômbia "não está em Bogotá, mas em Washington". EFE