Diplomatas brasileiros foram ao Suriname e conversaram neste domingo com 50 dos brasileiros atacados por surinameses em Albina, na última sexta-feira (25). De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, apenas cinco deles quiseram voltar ao Brasil e já estão a bordo de um avião, que pousará em Belém (PA) por volta das 21h30.
Ainda de acordo com o Itamaraty, o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, fez hoje uma visita de avaliação a Albina e ainda não confirmou os relatos de que há brasileiros mortos.
Nove feridos que estavam hospitalizados em Saint-Laurent, na Guiana Francesa, receberam alta neste domingo --entre eles uma grávida de três meses que sofreu um aborto espontâneo. No sábado, em entrevista à Folha Online, o embaixador afirmou que, ao todo, 25 pessoas ficaram feridas nos ataques.
Os diplomatas vão permanecer em Paramaribo nos próximos dias e continuarão a conversar com os brasileiros hospedados na capital surinamesa. Após o ataque, 81 brasileiros foram transferidos para hotéis na cidade.
O incidente foi motivado por um crime supostamente cometido por um brasileiro na véspera do do Natal, gerando uma reação dos "marrons" --como são chamados os descendentes quilombolas no país.
O brasileiro Paulo da Silva, que testemunhou o ataque e falou por telefone neste sábado com a Folha Online disse que ao menos quatro pessoas teriam morrido na ação. Já o padre brasileiro José Vergílio, citado pela BBC, disse que as vítimas chegam a sete.
Albina tem um grande contingente de brasileiros, de aproximadamente 2.000 pessoas, que vão trabalhar com garimpo no outro lado da fronteira --o que é proibido pelas leis daquele território, que ainda pertence aos franceses.
Além de atacar os brasileiros, o grupo invadiu um shopping center e outras lojas da cidade. Os moradores locais chegaram a incendiar algumas lojas e bombeiros de Saint Laurent du Maroni, na Guiana Francesa, ajudaram a extinguir as chamas.
Segurança
Hoje, a ministra interina dos Negócios Estrangeiros no Suriname, Jane Aarland, afirmou ao governo do Brasil disse que tomará todas as medidas possíveis para garantir a segurança dos brasileiros no país.
Segundo o ministério, Aarland conversou na noite deste sábado com o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota. A ministra não explicou que medidas seriam tomadas, mas, segundo a assessoria do Itamaraty, o fato do governo do Suriname ter escalado três veículos para escoltar uma missão diplomática brasileira até a cidade de Albina, cenário do ataque, mostra "boa vontade".