Após convidar o americano David Goldman, pai do menino Sean, 9, para passar o Natal com a família brasileira da criança, o advogado Sérgio Tostes afirmou não descartar que o estrangeiro possa escolher o local da festa natalina. O garoto é pivô de uma disputa diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

"Vamos conversar. Estou pronto para negociar. Quer ter um encontro fora da casa? Vamos examinar. Quer ter na casa do cônsul americano? Vou examinar", afirmou o advogado.

De acordo com Tostes, é preciso por fim ao "cabo de guerra" entre o americano e a família materna de Sean. Ele destacou que esse "conflito entre as duas partes" desagrada a todos, inclusive ao menino.

Ao ser questionado se a família concordaria em deixar o menino passar o Natal com o pai nos Estados Unidos, Tostes relutou. "A família quer o melhor para a criança, mas evidente que há cautelas a serem tomadas. O que a família não concorda é que o menino seja levado a força daqui [do Brasil]", disse.

Natal

Na tarde desta sexta, Goldman voltou a afirmar que gostaria de passar o Natal com o filho nos Estados Unidos. "Se eu estiver aqui, tenho certeza de que não conseguirei [passar o Natal com ele]. Estou esperando ir embora com o meu filho e levá-lo de volta para nossa família e aproveitar o Natal e os feriados, ir brincar no gramado, tirar fotos, fazer as coisas que a gente já fez no passado como pai e filho", disse, antes de saber do convite.

O americano disse implorar pelo retorno do garoto. "Estou de joelhos, implorando para meu filho voltar para casa, implorando por Justiça. Por que é tão difícil?", questionou.

Nascido nos EUA, Sean veio ao Brasil em 2004 com a mãe, Bruna Bianchi. Desde então David Goldman tenta levar o filho de volta com base na Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças. Com a morte de Bruna, em 2008, a batalha judicial passou a ser travada entre o americano e o segundo marido da mãe, João Paulo Lins e Silva.