Foi decretada nesta quinta, a prisão temporária do ajudante de serviços gerais Roberto Carlos Magalhães Lopes, que introduziu cerca de 40 agulhas no corpo do enteado de 2 anos. Ele confessou o crime na noite de terça-feira, na Delegacia de Ibotirama, 650 km de Salvador. O menino foi transferido também nesta quinta, de Barreiras, para o Hospital Ana Nery, em Salvador, onde é examinado.

No depoimento, Roberto declarou a participação de duas mulheres. Uma é a mãe-de-santo Maria dos Anjos Nascimento, conhecida na cidade como Bia. A outra é a doméstica e viúva Angelina Capistana Ribeiro dos Santos. As duas mulheres estão presas temporariamente na Delegacia de Ibotirama, até que as investigações sejam concluídas.

Roberto Carlos está preso em outra cidade, não revelada, pois, segundo o delegado Hélder Fernandes Santana, a população, de 25 mil habitantes, está revoltada e queria invadir a delegacia para linchar Roberto.

Roberto Carlos não é muito conhecido na cidade. Vizinhos declararam não ter muito contato com ele, mas confirmaram que sempre viam o menino andando com ele na rua. A avó do garoto, Adelice Souza Santos, 70 anos, conta que Roberto era calado, mas tratava bem os netos. “Quando veio morar com minha filha, ele não trabalhava. Ficava só em casa e não conversava com ninguém. Somente agora, há duas semanas, ele começou a trabalhar”.

O lavrador Valdeciro Rocha Oliveira, 45, conviveu com Roberto durante três anos, na Ilha do Saco, onde morava, e disse que Roberto costumava ficar trancado em casa, sempre sozinho, sem contato com outras pessoas.

Vingança - De acordo com o delegado, Roberto disse estar arrependido. Ele alegou que fazia o procedimento como forma de vingança contra a esposa Maria Souza Santos, pois ela tinha ciúmes dele com Angelina, suposta amante dele. Por isso, brigavam com frequência.

As agulhas eram compradas por Roberto e, por sessão, eram introduzidas de três a quatro. O ritual acontecia há mais de um mês e antes de fazer o procedimento, o padastro entregava as agulhas para Angelina, que levava para ser benzida por Maria dos Anjos, que também participava do ritual, dando água benta para a criança. As mulheres negam as acusações.