Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, órgão do MEC (Ministério da Educação), deixou o cargo nesta sexta-feira (18). A carta de demissão, alegando motivos pessoais, foi entregue ontem ao ministro da Educação, Fernando Haddad.

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Haddad está fora de Brasília hoje e só irá anunciar o novo presidente na segunda-feira (21).

Este ano, o órgão enfrentou uma série de problemas - o maior deles foi o vazamento do Enem em outubro. O exame teve de ser remarcado para 5 e 6 de dezembro. Mais de 4,1 milhões de candidatos estavam inscritos.

A fraude no exame, informada ao MEC pela imprensa, fez os custos chegarem a mais de R$ 130 milhões. O primeiro contrato previa gastos de R$ 116 milhões.

A nova aplicação das provas não passou ilesa: houve fechamento de portões antes da hora, tumulto, abstenção recorde, questão anulada e divulgação de gabarito embaralhado.

Este tem sido um ano de grandes mudanças no Enem. No primeiro semestre, o MEC anunciou o plano de unificar os vestibulares e o exame nacional passou a selecionar alunos para faculdades federais, além de avaliar alunos do ensino médio. Com o adiamento, no entanto, algumas universidades desistiram de usar a prova em seus processos seletivos.

Fernandes assumiu o cargo em 2005. É professor titular de economia da USP, em Ribeirão Preto (SP), e tem mestrado e doutorado em economia, também pela USP. Antes de ocupar a presidência do Inep, era o presidente da Esaf (Escola de Administração Fazendária), do Ministério da Fazenda.

Fraude no Enem

Esta semana, a Justiça Federal aceitou a denúncia por violação de sigilo funcional e corrupção passiva contra os cinco acusados de vazar a prova do Enem. Mas foi rejeitada a acusação de peculato - furto praticado por servidor público cuja pena varia de 2 a 12 anos.

No dia 4, véspera da realização do Enem, os procuradores da República Rodrigo Fraga e Kleber Marcel Uemura haviam oferecido a denúncia à Justiça. Se o juiz aceitasse a acusação por inteiro, os acusados poderiam ser condenados a até 30 anos de prisão. Com a retirada do peculato, a pena será menor.