O Senado aprovou nesta quinta-feira (17) o relatório da CPI da Petrobras. O parecer, relatado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), isentou a estatal de todas as denúncias investigadas pela comissão. Jucá fez considerações pontuais sobre problemas encontrados no setor da estatal que concede patrocínio a entidades públicas e sugeriu dois projetos de lei para dar à Petrobras o direito de realizar licitações e ter regras próprias na contabilidade dos recursos movimentados.
Sem a presença da oposição, o relatório foi aprovado por unanimidade. Nem o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que adiou a votação iniciada terça-feira (15) pedindo vista do documento, votou contra o relatório. O movimento de Collor teve o objetivo apenas de marcar protesto pessoal do senador contra o governo. No início da sessão, ele sugeriu que a CPI se reunisse em fevereiro para votar o relatório.
- Essa CPI termina e é concluída com essas ressalvas, mas sai devidamente explicitada que esses equivocos cometivos, pequenos equívocos, serão sanados.
Collor chegou a argumentar que os integrantes da comissão não tiveram tempo para ler com atenção as 359 páginas do relatório de Jucá e encaminhou adendo pedindo à comissão que só retome a análise do documento no início de fevereiro.
Entre as justificativas apresentadas pelo senador do PTB está a revisão do parecer de Jucá que inocentou a Petrobras da acusação de ter deixado de recolher R$ 4,3 bilhões em impostos. A denúncia foi uma das principais bandeiras da oposição durante a briga para conseguir formar a CPI e, no relatório do líder do governo, foi minimizada. O peemedebista atribuiu a denúncia a conflitos de método de aferição de caixa e afirmou que a estatal não cometeu nenhuma irregularidade.
A reação de Collor impressionou os governistas. Desde que voltou ao Senado o ex-presidente sempre atuou como aliado do governo. Integrantes da oposição informaram ao R7 que Collor rejeitou o relatório de Jucá, considerado uma vitória do Executivo, como represália ao presidente Lula. O governo deixou o senador de fora da comitiva que foi a Copenhage discutir mudanças climáticas.
O meio ambiente sempre foi a principal bandeira do ex-presidente, tanto à época que venceu a disputa pela Presidência quanto em 2006, quando retomou a vida pública depois do impeachment que sofreu em 1993. Em 1992, quando era presidente, ele foi o anfitriã de dezenas de chefes de Estado de todo o mundo que vieram participar da Eco-92, conferência mundial que discutiu temas ambientais.