A Região Metropolitana do Recife é uma das mais vulneráveis ao aumento do nível do mar no litoral brasileiro. Mais de 82% das casas, prédios e construções, ficam a menos de 30 metros da faixa litorânea. Outro agravante é a posição geográfica das cidades, situadas a apenas quatro metros acima do nível do mar, todas, banhadas por rios.
O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em quatro regiões do litoral brasileiro: Recife, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Baixada Santista. São locais que sofrem grande risco de inundações no futuro. Os pesquisadores fizeram projeções para saber como essas cidades seriam afetadas diante de dois casos: um aumento do nível do mar na ordem de 50 centímetros ou de um metro. Em Recife, o dano pode ser maior.
De acordo com os pesquisadores, no caso de um aumento do nível do mar de meio metro, as cidades da Região Metropolitana do Recife teriam quase 40 quilômetros de área inundada. Se essa elevação chegar a um metro de altura, a área atingida chegaria a quase 54 quilômetros quadrados.
O avanço do mar em Pernambuco já tem provocado estragos. Praias perderam a faixa de areia e casas e prédios foram atingidos pela fúria das ondas. No litoral de Paulista, o calçadão foi destruído pela força da água. Olinda também enfrenta uma situação crítica. A cidade perdeu 59% da faixa de areia. No Recife, nem os diques artificiais conseguem conter o avanço do mar. Alguns trechos da praia de Boa Viagem simplesmente desapareceram nos últimos 14 anos.
Para pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é possível reverter o processo da erosão costeira com a mobilização da sociedade para enfrentar o problema
- Eu acredito na capacidade do homem de reverter esse processo. Há formas de enfrentar o problema. Eu destacaria dois eixos principais. O primeiro, eu penso um pouco mais especificamente na Região Metropolitana, seria justamente o conhecimento, intensificação e consolidação dos processos que estão causando isto nesta região - afirma Moacir Araújo, oceanógrafo da UFPE.
- No outro eixo, há uma questão de gestão. Precisamos começar a incorporar os resultados e estes estudos nos instrumentos de gestão pública, em planos diretores dos municípios, por exemplo. Você pode pensar na criação de unidades de conservação em áreas que são claramente identificadas como áreas de risco de inundação. Então as saídas que podem ser exploradas - complementa.