O candidato favorito à eleição presidencial no Chile, que ocorre no próximo domingo (13), encerrou na noite de quinta-feira (10) sua campanha presidencial em um showmício no centro da capital, Santiago. O direitista Sebastián Piñera discursou para seus apoiadores, dizendo que "o tempo da Concertación [coalizão esquerdista que governa o Chile] já passou".
"Nenhum mea-culpa, muito menos de última hora, vai enganar os chilenos", disse ele, se referindo à frase do candidato goverista, Eduardo Frei, que praticamente admitiu que há descontentamento e "até raiva" em relação à Concertación.
O showmício teve início por volta das 18h (horário local, 19h na hora de Brasília) e, segundo a polícia local, teve participação de ao menos 8 mil pessoas. Entre música (até Ilariê, da Xuxa), gritos e muitas bandeiras, os apoiadores de Piñera estavam animados para seu último discurso antes da votação. "Ele é nosso segundo libertador", disse o chileno Ivan Fuentes, que está desempregado.
Piñera disse ainda que sente que está preparado para ser presidente e que "é preciso reestabelecer a cultura do fazer bem e de maneira honesta". "Este governo teve quatro oportunidades e agora querem outra. Vocês crêem que merecem?", disse, seguido de um alto \'Não\' dos apoiadores.
Um dos pontos altos do discurso foi quando disse que iria "acabar com a delinquência e com o narcotráfico". As chilenas Elisa Lacitia e Macarena Andaur acreditam que essa é a principal vantagem do candidato. "Votaremos nele pela mudança e porque é alguém que confiamos para acabar com a droga", afirmaram.
Para o presidente do partido de Piñera, Renovação Nacional, a aliança de direita está num processo de ascenção. "Há gente de todas as partes do país e esperamos que isso fique ainda maior", disse carlos Larrain.
Fim de campanha
Agora terminou no Chile o período de campanha e de propaganda política televisiva. Os candidatos Eduardo Frei e o dissidente da Concertación Marco Enríquez-Ominami realizaram seus encerramentos de campanha fora da capital.
Segundo a última pesquisa realizada antes da eleição e publicada na quarta-feira, Piñera seria o primeiro colocado nas eleições de domingo com 44,1% dos votos, com 13,1 pontos de vantagem ante Frei. Mas, segundo Kristin Sorensen, autora de "Media, Memory, and Human Rights in Chile" e professora de relações internacionais da universidade de Bentley, nos EUA, Piñera pode ficar no segundo tutrno. "Não acredito que ele passe. Ele representa um grupo minoritário da sociedade chilena - os que têm riqueza e poder."