Pesquisa divulgada terça-feira durante a Conferência do Clima, em Copenhague, mostra que a década de 2000 a 2009 foi a mais quente dos últimos 160 anos. A década que começou no ano 2000 superou em 0,40 ºC a média do período entre 1961-1990, que foi de 14ºC.

O estudo mostra que o aquecimento vem num crescimento constante, mais uma prova, segundo os cientistas, de que as emissões de carbono e gases de efeito estufa tem impacto nocivo sobre o clima do planeta. A pesquisa serve ainda como mais um elemento persuasivo para que os líderes das 192 nações concordem em assinar um acordo vinculante – que implique no cumprimento de metas obrigatórias de redução de carbono e no desenvolvimento de um novo modelo de geração de energia limpa.

“Os números sublinham que o mundo continua a registrar aumentos de temperatura, principalmente devido à elevação das emissões de gases que causam o efeito estufa na atmosfera”, disse em seu comunicado o Met Office, que é a instituição oficial de medições climáticas do Reino Unido.

Para o órgão britânico, os dados mostram que o argumento de uma corrente de cientistas, considerados céticos, de que o ciclo de aquecimento global já acabou é falho.

El Niño

Em outro estudo sobre clima, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) apontou dados semelhantes ao do Met Office. Segundo a OMM, o ano de 2009 já é o quinto mais quente da sua medição, que começou a ser feita em 1850. O ano mais quente dos últimos 160 anos foi 1998, consequência do fenômeno climático El Niño.

Segundo o estudo da OMM, 2009 teve temperaturas acima do normal na maior parte dos continentes. “Climas extremos, incluindo enchentes devastadores, secas rigorosas, tempestades de neve, ondas de calor e de frio foram registrados em várias partes do mundo”, afirmou o relatório.

O estudo aponta que em 2009 as temperaturas na América do Sul, Austrália e sul da Ásia foram mais altas que o normal. O Brasil também foi citado na pesquisa, como tendo passado por um ano mais quente do que o habitual, especialmente na região sul do país. Em novembro, no Rio de Janeiro, o calor também foi intenso, com a temperatura beirando os 40 graus.

Já no Ártico, durante a estação sazonal de derretimento, a camada de gelo chegou ao seu terceiro menor nível desde que a medição começou, em 1979 – 5,1 milhões de quilômetros quadrados. Essa extensão só foi maior que a dos anos de 2007 (4,3 milhões de quilômetros quadrados) e 2008 (4,67 milhões de quilômetros quadrados), que bateram recorde de perda de gelo.

– Estamos em uma tendência de aquecimento, não há dúvida disso – disse o diretor-geral da OMM, Michel Jarraud.