O subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, reiterou que a situação atual de Honduras põe em xeque a manutenção da democracia e estimou que a crise política atravessada pelo país se encaminha para uma "direção positiva".
"O mais importante é o que está em jogo mais adiante: a defesa coletiva da democracia, pilar do sistema interamericano", declarou ao jornal chileno El Mercurio.
Valenzuela também falou sobre o princípio de não intervenção nos assuntos internos dos países. Segundo ele, "sempre houve uma tensão" entre esta premissa e a conservação dos governos eleitos pelo povo.
"Depois do fim dos autoritarismos dos anos 70 e 80 surge uma grande demanda da parte dos países latino-americanos. Não foi uma imposição norte-americana pela defesa coletiva da democracia", explicou.
O subsecretário reafirmou que houve "um golpe de Estado clássico" em Honduras "no sentido de que se tira um presidente do país". No entanto, considerou que "as coisas estão encaminhadas em uma direção positiva".
No dia 29, o país sul-americano realizou eleições presidenciais sob o regime de facto de Roberto Micheletti -- imposto com a deposição do mandatário constitucional, Manuel Zelaya, tirado do poder em junho.
Nações como Brasil, Argentina, Venezuela e Chile, além de órgãos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), anunciaram que não reconheceriam o resultado do pleito.
A postura, porém, vem sendo enfraquecida nos últimos dias, com o anúncio de alguns governantes e do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que sinalizaram a possibilidade de diálogo com o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo.
Os Estados Unidos apoiaram o pleito, tendo inclusive enviado observadores para acompanhar o processo.
Valenzuela lembrou ainda da votação do parlamento hondurenho, que desaprovou a recondução de Zelaya ao poder na madrugada da última quarta-feira. A medida era uma das principais reivindicações da comunidade internacional para o reconhecimento do pleito.
De acordo com o norte-americano, a atitude provocou "desalento" nos Estados Unidos. Ele indicou, porém, que "é preciso buscar outras soluções".
O subsecretário para o Hemisfério Ocidental comentou que são vitais para o restabelecimento da democracia em Honduras a formação de um governo de unidade e reconciliação e a instituição de uma comissão de verdade que investigue os acontecimentos anteriores e posteriores ao golpe de Estado.