O presidente russo, Dmitri Medvedev, pediu neste sábado que os donos de uma casa noturna na cidade de Perm, onde um incêndio deixou ao menos 109 mortos, sejam punidos severamente. Segundo o presidente, eles ignoraram os alertas das autoridades sobre a falta de segurança do local contra um possível incêndio.
Com um tom duro em uma videoconferência com seus ministros, Medvedev afirmou ainda que os responsáveis "não têm cérebro, nem consciência" --já que não se apresentaram imediatamente após o acidente.
O presidente decretou luto nacional na próxima segunda-feira (7) pelo pior acidente do tipo na Rússia em décadas.
"Este não foi um assassinato premeditado, mas isso não reduz a gravidade do crime", afirmou Medvedev, em videoconferência com os ministros russos de Emergências, Sergei Shoigu; de Saúde, Tatyana Golikova; e do Interior, Rashid Nurgaliyev, que visitaram os sete hospitais onde os feridos estão internados.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, por sua vez, expressou condolências às famílias das vítimas "desta monstruosa catástrofe".
O balanço mais recente indica que 109 pessoas morreram no incêndio, supostamente causado por fogos de artifício nesta sexta-feira na casa noturna. O incêndio deixou ainda cerca de 90 pessoas gravemente feridas por queimaduras ou inalação de gás tóxico, informou o Ministério da Saúde em Perm.
O ministro regional de Segurança, Igor Orlov, citado pela agência de notícias Ria Novosti, afirmou que o plástico no telhado da popular Lame House pegou fogo durante uma exibição de fogos de artifício.
Um policial, citado pela agência Interfax, afirma que os organizadores da festa "decidiram fazer uma demonstração de fogos de artifício frios, considerados mais seguros". No entanto, calcularam mal a altura do teto, e as faíscas teriam imediatamente provocado um incêndio.
Os especialistas em bomba do Serviço de Segurança Federal disseram não ter encontrado traços de explosivos no local. Vladimir Markin, porta-voz do comitê de investigação, descartou categoricamente a hipótese de um atentado terrorista, uma semana depois do ataque contra o Nevski Express, trem que liga Moscou a São Petersburgo, no qual 26 pessoas morreram.
"O acidente foi causado pela violação das instruções para a utilização de material pirotécnico. Não se trata, de maneira nenhuma, de um ato terrorista, posso garantir 100%", disse Markin, citado pela Interfax.
Um dos donos do estabelecimento, Anatoli Zak, foi detido por não respeitar as regras de segurança para manuseio de fogos de artifício. As autoridades locais disseram que os gerentes da casa noturna ignoraram repetidos alertas do governo para que mudassem o interior do clube para obedecer aos padrões se segurança contra chamas.
Pânico
Um vídeo gravado pelos frequentadores da casa e exibido pelas estações de TV russas mostram as chamas consumindo o teto do local. Um dos funcionários pediu então, em tom casual: \'Senhoras e senhores, convidados do clube, nós estamos pegando fogo. Por favor saiam do local\'.
As pessoas começaram a deixar o local relutantes, algumas olhando para trás para observar o teto em chamas. Pouco tempo depois, quando o fogo parecia fora de controle, a correria começou.
Svetlana Kuvshinova, que estava no Lame House quando o incêndio começou, disse à agência de notícias Associated Press que tudo começou quando três fontes de fogos de artifícios jogaram faíscas no telhado de plástico. "O fogo demorou segundos para se espalhar. Havia apenas uma saída. As pessoas quase me esmagaram", disse.
De acordo com a agência Itar-Tass, no momento da explosão, na madrugada de sábado (noite de sexta-feira em Brasília), havia cerca de 200 pessoas no bar, a maioria empregados do café e seus familiares, que comemoravam o oitavo aniversário do local. Segundo a RIA Novosti, a explosão aconteceu às 23h15 no horário de Moscou [18h15 de Brasília].
A maioria das vítimas, segundo Markin, morreu em consequência de queimaduras, esmagamento e asfixia quando tentava fugir do local.
As regras de segurança contra incêndio são notoriamente ignoradas na Rússia, onde nos últimos anos houve vários incêndios catastróficos em centros de reabilitação de dependentes de drogas e prédios de apartamentos.
O país registra cerca de 18 mil mortes por fogo a cada ano, várias vezes a taxa per capita nos Estados Unidos e de outros países ocidentais.