O grande mufti da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Abdala al-Sheikh, lembrou hoje aos muçulmanos que o terrorismo não é apoiado pelo Islã e qualificou de "malvadas" as missões suicidas cometidas em nome da religião.

A mensagem do xeque fez parte do sermão antes das orações das 12h, no segundo dia dos rituais anuais da peregrinação a Meca ("Hajj"), com a participação de cerca de 2,5 milhões de pessoas este ano, segundo as autoridades sauditas.

O grande mufti pronunciou seu sermão na mesquita de Namira, aos pés do Monte Arafat, o lugar onde o profeta Maomé pronunciou seu último sermão e que fica a cerca de 20 quilômetros ao sudeste de Meca.

"O terrorismo é um problema internacional (...). O dever do muçulmano é se opor a isso", afirmou o xeque em uma das sacadas da mesquita, cuja esplanada ocupa uma área de 110 mil metros quadrados e pode receber cerca de 300 mil fiéis.

O mufti saudita disse que os responsáveis por cometer as "malvadas" missões suicidas em nome do Islã "não recebem o apoio de Alá nem do Islã", e alertou os que promovem a destruição "em nome do sectarismo".

Em seu sermão, o xeque criticou também a "magia negra" e os bruxos que dizem seguir os princípios islâmicos, e também os efeitos que as drogas estão causando entre a juventude muçulmana. "As drogas destroem a nação do Islã", disse.

Também lamentou, em seu discurso, que alguns países muçulmanos questionem a legitimidade de que a mulheres usem véu.

O sermão do mufti foi o momento-chave de hoje nos dias mais importantes da peregrinação a Meca, que, em diversos períodos, é feita em um corredor que ligam a cidade e o Monte Arafat.

Ao contrário de ontem, quando aconteceu uma forte chuva neste país desértico, que criou graves problemas no deslocamento dos fiéis, hoje os peregrinos puderam aproveitar um dia de sol.

Em Arafat, de rocha e com cerca de 70 metros de altura, os fiéis purificam seus pecados e cumprem um dos rituais mais importantes do "Hajj".

O Monte Arafat, conhecido também como "Monte do Arrependimento", ficou hoje completamente coberto de fiéis.

Vestidos com o "iharam", uma roupa de duas peças de tecido branco sem costuras, os peregrinos recitaram durante a subida ao monte frases de louvor a deus, como "Labbayk Allahumma Labbayk" (Aqui estou, senhor).

O príncipe de Meca, Khalid al Faisal, anunciou hoje que o número de peregrinos mortos pelas chuvas, que atingem o país desde ontem, na cidade de Jidá, subiu para 77, segundo o canal de televisão saudita "Al Arabiya" e não descartou que o número de mortos aumente.

As regiões mais atingidas foram as de Jidá, Meca e Rabegh. Na primeira, foi registrada a metade das vítimas e, no total, caíram cerca de 70 milímetros de chuva em menos de duas horas, o que representa mais de dois terços da precipitação média anual do país.

Alguns dos que ontem queriam chegar a Meca a partir de Jidá não alcançaram seu objetivo ou tiveram que gastar um dia inteiro a um deslocamento que normalmente fazem em 45 minutos.

As forças de segurança se esforçam para limpar a destruição causada pelas chuvas, e garantir a segurança e tranquilidade dos peregrinos, que, durante sua estadia ontem no vale de Mina, tiveram alguns dos acampamentos inundados.

O rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, visitou na manhã de hoje o vale de Mina para observar os serviços oferecidos aos peregrinos para o cumprimento dos rituais e o movimento entre os lugares sagrados.

Depois do pôr-do-sol, os peregrinos se deslocaram para a cidade de Muzdalifah, vizinha ao Monte Arafat, onde passarão a noite de hoje para dirigir-se amanhã a Meca. EFE