Os líderes dos 27 países da União Europeia se reúnem nesta quinta (19) em Bruxelas, na Bélgica, para decidir quem será o primeiro "presidente europeu" e o "chanceler" do bloco. O cargo de presidente do Conselho Europeu foi criado pelo Tratado de Lisboa, aprovado recentemente, que também deu mais poderes ao Alto Representante da UE para Assuntos Estrangeiros. A disputa está acirrada entre entre o premiê belga, Herman Van Rompuy, o ex-premiê britânico Tony Blair e a ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga.
O novo cargo de presidente, com mandato de dois anos e meio, tem como objetivo dar uma cara única ao bloco europeu. Com o novo posto, desaparece o atual sistema de Presidência rotativa. Quem assumir o cargo poderá, em algumas ocasiões, substituir os líderes dos países europeus em cúpulas internacionais.
O chanceler europeu também terá mais autonomia para defender linhas de política externa únicas para todos os 27 países da União Europeia. A intenção é dar mais coesão ao bloco, que frequentemente se vê dividido entre opiniões diferentes de diversos líderes europeus.
Disputa entre candidatos está acirrada
O primeiro a se lançar candidato ao novo posto foi o ex-premiê britânico Tony Blair. Embora conte com o apoio do Reino Unido, o político enfrenta a oposição de vários líderes, inclusive dos socialistas, por seu apoio aos Estados Unidos na invasão do Iraque.
Nesta quinta (18), França e Alemanha, que não apoiam Blair, disseram que terão um candidato único nesta sexta em Bruxelas. O nome mais provável é o do premiê da Bélgica, Van Rompuy.
Cresce a pressão entre os líderes europeus para que os dois cargos sejam divididos entre a esquerda e a direita europeia. Assim sendo, se o presidente for da direita, o chanceler deve sair da esquerda. Também há pressão para que um dos cargos seja ocupado por uma mulher. Neste caso, surge com força o nome da a ex-presidente da Letônia, Vike-Freiberga.
O premiê de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, premiê da Holanda, Jan Peter Balkenende, e o ex-premiê da Áustria, Wolfgang Schuessel, também são candidatos.
Uma das grandes discussões entre os líderes da Europa é sobre o perfil do presidente. Alguns querem um político com perfil discreto, para não ofuscar os atuais presidentes e primeiros-ministros. Outros preferem um "líder forte", que seja reconhecido como o representante da Europa. A decisão deve sair por consenso ou por maioria de dois terços.