Diante do espetáculo de constrangimentos que foi a abertura do 42o. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro , a coletiva de imprensa do filme "Lula, o Filho do Brasil" na manhã de quarta (18) foi muito tranquila, civilizada e cheia de surpresas. O diretor Fábio Barreto, mais calmo e ponderado do que na noite anterior, disse ter ficado feliz com a sessão. "O filme se impôs, o público assistiu com interesse", disse ele. "Não acho que teria sessão melhor do que essa."

Ao final da coletiva, o patriarca do clã, o produtor Luiz Carlos Barreto, conhecido no meio cinematográfico como Barretão, anunciou que está se aposentando. "Esse é meu último filme", disse ele, que tem no currículo a fotografia de "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", a produção de "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e de outros clássicos do cinema brasileiro. É o fim de uma era.

Fábio Barreto, sua irmã, a produtora Paula Barreto, e parte da equipe e do elenco responderam a várias perguntas sobe o caráter político e "eletoreiro" do filme, a ausência de certas passagens polêmicas da vida de Lula e a escolha do ator Rui Ricardo Diaz para o papel-título. Fábio e Paula falaram também sobre a possibilidade de transformar "Lula, o Filho do Brasil" em minissérie, sobre a distribuição internacional do filme e a participação em festivais internacionais.

Paula rebateu a críticas de que o "Lula, o Filho do Brasil" tem espírito "eleitoreiro" ao revelar que os diretos do livro homônimo em que o filme foi baseado, escrito pela jornalista Denise Paraná, teve os direitos comprados pela produtora LC Barreto em 2003. "Nessa época, as pessoas lá fora queriam saber quem era o Lula e achamos que um filme com a história dele poderia ser interessante", disse a produtora. "Tivemos muitas dificuldades para conseguir patrocinadores e ainda tivemos a ocorrência da crise, mas o tempo de um filme é esse mesmo, cerca de sete anos."

Sobre a ausência de qualquer referência no filme ao romance entre Lula e Miriam Cordeiro, que teria resultado no nascimento de Lurian, Paula respondeu que se tratou de um problema jurídico. "Havia cenas no filme referentes ao relacionamento entre Lula e Miriam", respondeu ela. "Mas como a Miriam não nos deu autorização tivemos que cortar todas as referências a ela." Na plateia, junto dos jornalistas, o produtor Luiz Carlos Barreto contou a uma repórter que a cena em questão mostrava Lula conversando com a mãe sobre o relacionamento com Míriam e a gravidez da companheira: "Ele dizia que, apesar disso, não queria casar com ela".

"Lula, o Filho do Brasil" terá pelo menos quatro sessões públicas antes da estreia, em 1o. de janeiro de 2010. A primeira será em Recife, no dia 28; a segunda, no dia 28, em São Bernardo do Campo; a terceira, no dia 7 de dezembro, na Paraíba, e a última no dia 8 de dezembro, no Rio de Janeiro. Segundo Fábio Barreto, o presidente Lula disse a ele na terça (17) à noite que quer assistir ao filme em São Bernardo junto com a família e companheiros da época do sindicalismo. "Após a sessão de ontem à noite, fomos convidados pela Dona Marisa Letícia para visitar o presidente no palácio da Alvorada", contou o diretor. "Eu levei uma cópia para que ele pudesse ver quando quisesse, mas ele disse que queria assistí-lo em São Bernardo."

Carlos Eduardo Rodrigues, da Globo Filmes, disse que, com "Lula", pretende quebrar o recorde de cópias e abertura para filmes nacionais. A perspectiva é de que o filme entre em cartaz em 500 telas. Paula Barreto também confirmou que existe a possibilidade de transformá-lo em minissérie e a prioridade, nesse caso, seria da co-produtora. "Temos muito material filmado e isso seria o mais lógico a fazer", disse ela. Sobre a carreira internacional da produção, ela afirmou que não se associarão às majors americanas. "Vamos nos associar a distribuidoras em cada país", explicou ela. "O primeiro país fora do Brasil em que lançaremos o filme será a Argentina."