“Se eu serei lembrado daqui a 50 anos? Eu não penso nisso. Não me interesso pela posteridade, apenas em como meus filhos e meus netos vão se lembrar de mim. Não quero uma estátua na Times Square. Não quero pombos em cima da minha cabeça”, diz Sting. Tranquilo aos 58 anos, o músico inglês falou a jornalistas sobre a apreentação que fará em São Paulo, como atração principal do festival Natura Nós About Us, no próximo domingo (22) na Chácara do Jockey. E garantiu que não vai tocar músicas de seu recém-lançado disco, “If on a winter’s night”.
“O show vai ser completamente diferente do álbum novo. Estou indo ao Brasil com a minha banda de rock, com guitarra, teclado e bateria. Vamos tocar meus maiores sucessos, músicas do The Police, coisas da minha carreira solo, vai ser uma noite de rock ‘n’ roll barulhenta”, adianta. “Meu disco novo é bem calmo e introspectivo, então é completamente diferente. Como sempre faço, vou tocar músicas como ‘Roxanne’, ‘Message in a bottle’, canções que todo mundo conhece”, fala o artista, acrescentando que não se sente na “obrigação” de tocar músicas do Police. “Afinal de contas, fui eu quem as escreveu e arranjou. Tenho orgulho das minhas músicas.”
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Quanto a uma possível reunião com o guitarrista Andy Summers e o baterista Stwart Copeland, o cantor é direto: “Não há chance. A turnê do Police já foi completada, fechamos um ciclo. Fez muito sucesso, as pessoas gostaram muito, foi uma das mais bem-sucedidas. Mas já passou, não preciso fazer isso de novo. Foi divertido enquanto durou.”
O próprio Sting tem definido seu novo trabalho solo como um ensaio para a velhice. “É um álbum sobre o inverno. Acho que eu teria de explicar aos brasileiros o conceito de inverno, porque não há inverno no seus país. Eu diria que estou no inverno da minha vida, já que estou com 58 anos. É uma maneira de preparação. Para mim, música é terapia. É uma maneira de me preparar para a realidade da vida. As músicas do disco são reflexivas, introspectivas. Esse é o motivo pelo qual não vou tocá-las no domingo. Porque sempre é verão no Brasil. O álbum é o oposto disso.”
Engajado, o músico revela que pode ir à Amazônia durante a estadia no país. “Como sempre, não posso me envolver com a política local, mas posso fazer com que a voz do povo seja ouvida”, acredita. “Acho que a conscientização das pessoas quanto à importância do ambiente está aumentando a cada dia, a cada ano. Os políticos estão sempre muito atrasados nesse quesito. Eles tomam decisões a curto prazo, e esse assunto requer criatividade a longo prazo. De certo modo, os políticos não são as pesoas ideais, mas sinto que a conscientização das pessoas em geral está ficando mais sofisticada no sentido do quão importante é o ambiente.”
Sting diz ainda ter boas lembranças de sua passagem pelo Brasil em 1988, quando tocou no Maracanã para meio milhão de pessoas. “A música do Brasil é muito importante para mim. Adoro a música brasileira, de Villa-Lobos a Tom Jobim, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilbero Gil. Sempre fui muito curioso por música, sou muito guiado pela minha curiosidade, mais do que por motivos comerciais. Estou constantemente ouvindo coisas, é um território onde posso me expressar.”
“As mulheres aí são lindas”, continua. “Tenho certeza que os homens são também, mas eu não reparo nisso”, ri. “Estou ansioso para pegar sol por uma semana. O Brasil tem uma mistura interessante em diferentes campos, ambiental, filosófico, social, tem coisas diferentes acontecendo, e a música reflete essa mistura. É incrível.”