O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze, afirmou na tarde desta quarta-feira que vai pedir uma auditoria ao Ministério Público Estadual para descobrir se há relação entre o apagão e mortes registradas durante a queda de energia nos hospitais públicos do Estado e do município. Ao todo, 18 Estados foram afetados pelo apagão no país.
Segundo Darze, médicos do hospital estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes (zona norte), disseram que "há fortes suspeitas de três mortes terem ocorrido durante o blecaute".
"Procurei saber com os médicos do Carlos Chagas e há fortes suspeitas de que as mortes tenham ocorrido em função da falta de energia. Resolvemos pedir ao MPE do Rio que solicite a todos os diretores dos hospitais os óbitos registrados no período do blecaute", afirmou o médico.
Jorge Darze disse ainda que os problemas podem ter ocorrido nos respiradores e monitores, que controlam a frequência do coração dos pacientes. O médico acrescentou também que se os respiradores pararem de funcionar pode causar um quadro de letalidade automática e os problemas nos monitores interferem diretamente na atuação dos médicos.
Pane
De acordo com Darze, os tomógrafos do HGB (Hospital Geral do Bonsucesso), hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias (Baixada Fluminense) e o hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte do Rio), entraram em pane e continuaram parados na manhã desta quarta-feira.
"Esses equipamentos fazem parte do arsenal obrigatório de investigação do paciente. Ele é usado principalmente em situações de trauma, que ocorrem em acidentes de trânsito, ou AVC [acidente vascular cerebral] e é considerado imprescindível para o funcionamento da emergência", afirmou o médico.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio afirmou ainda que o HGB e várias UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) tiveram as cirurgias eletivas suspensas por falta de água. A assessoria do HGB negou o cancelamento de cirurgias na unidade.
A assessoria do HGB informou que a fabricante já foi acionada e que os equipamentos devem voltar a funcionar nesta quinta-feira.
Outro lado
A Secretaria Estadual de Saúde informou que uma pane no gerador deixou o hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio, sem energia após o apagão da noite de terça-feira (10) no país.
Segundo a secretaria, o aparelho não funcionou nas primeiras horas em que houve o blecaute, mas o problema não estaria relacionado com a morte de três pacientes na unidade momentos depois da queda de energia.
A secretaria informou, em nota, que o quadro de saúde dos pacientes já estava bastante agravado, em função de suas patologias e das idades deles. O órgão ainda afirmou que nenhum dos três pacientes que morreram estavam no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e que, apenas dois respiravam com a ajuda de aparelhos, que funcionavam normalmente.
Os pacientes que morreram na noite de terça-feira são: Elza Maria de Jesus, 77, Antonio José Rocha, 84, e Ene Barreto da Silva, 73. A Folha Online tentou encontrar os parentes dos três pacientes, mas não conseguiu localizá-los.
A secretaria informou ainda que o apagão não chegou a provocar interrupção no atendimento dos hospitais de emergência da rede estadual. Segundo o órgão, nos hospitais Adão Pereira Nunes, Pedro 2º e Rocha Faria, foram inclusive realizadas cirurgias de emergências. A secretaria ainda não se manifestou sobre a falta de água nas UPAs.
A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde informou que o abastecimento de água já foi normalizado no hospital Salgado Filho, no Méier, zona norte do Rio. Mais cedo, a diretoria da Cedae afirmou que carros pipa levaram água à unidade no início da manhã. A secretaria garantiu que os outros hospitais não foram prejudicados com o blecaute.