A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) recomendou a ianomâmis que vivem perto da fronteira com a Venezuela que não visitem índios no país vizinho. A medida foi motivada pelo surto de gripe A (H1N1) --conhecida como gripe suína-- entre ianomâmis venezuelanos.

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Além disso, a Funasa enviou uma equipe para Roraima para dar início, nesta terça-feira (10), a ações de treinamento e capacitação de profissionais de saúde. Segundo a fundação, a mesma ação deve ser feita no Amazonas. No total, serão treinados 260 agentes.

Também foram enviados para os dois Estados lotes do medicamento Tamiflu (oseltamivir), usado no combate à doença.

Na Venezuela, sete índios morreram de gripe nas últimas semanas. Segundo a Funasa, o Ministério da Saúde venezuelano descartou gripe A em cinco casos. Nos outros dois, o órgão aguarda exames.

De acordo com a Funasa, não há nenhum caso suspeito da doença entre índios da etnia no Brasil. Vivem no país 18 mil ianomâmis.

De acordo com Marcos Wesley, coordenador do projeto Pró-Ianomâmi da ONG Instituto Socioambiental, os próprios ianomâmis já estavam evitando contato com os venezuelanos. "Eles recebem informações sobre o surto de gripe de parentes. Mesmo assim, a contaminação é um risco."

Segundo Wesley, visitas entre ianomâmis que moram em diferentes lados da fronteira são comuns. "Eles têm muitas relações de parentesco e a caminhada dura um ou dois dias, o que, para eles, não é muito."

Wesley diz que, por ainda viverem relativamente isolados, os ianomâmis têm baixa imunidade. "A gripe, quando chega, se propaga com rapidez e alguns casos têm complicações."

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco de morte e hospitalização para indígenas devido à gripe A pode ser até cinco vezes o da população em geral.