O ex-líder dos sérvios na Bósnia Radovan Karadzic, que vinha boicotando seu julgamento por genocídio e crimes de guerra, vai comparecer ao Tribunal de Haia nesta terça-feira (3), segundo seus advogados.
"Estarei encantado de participar na audiência de procedimento de 3 de novembro", afirmou Karadzic em uma carta enviada no domingo ao juiz sul-coreano O-Gon Kwon, que preside o julgamento.
Karadzic vinha argumentando que precisava de mais tempo para preparar sua defesa.
O julgamento de Karadzic, de 64 anos, vinha ocorrendo desde semana passada no Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda, na ausência do acusado. A promotoria qualificou o acusado de "comandante supremo da limpeza étnica na Bósnia".
"Está sendo julgado este comandante supremo, este homem que explorou as forças do nacionalismo, do ódio e do medo para pôr em execução sua visão de uma Bósnia etnicamente dividida: Radovan Karadzic", afirmou o promotor Alan Tieger; e enumerou, em seguida, as acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade que pesam contra Karadzic por seu papel na Guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.
"O tribunal é da opinião de que a audiência pode prosseguir", declarou o juiz sul-coreano O-Gon Kwon, enfatizando que Karadzic escolheu "de forma voluntária" não se apresentar e deve aceitar as consequências.
Radovan Karadzic, encarregado da própria defesa, anunciou na quarta-feira passada ao TPI, em comunicado, que não estava preparado e boicotaria a abertura do processo, que tem duração prevista de dois anos.
Em setembro, ele havia pedido, sem sucesso, 10 meses adicionais para preparar a defesa. Ele afirma inocência.
Em julho de 2008, Karadzic foi detido em Belgrado, depois de passar 13 anos como fugitivo.