O relatório apresentado neste sábado (31) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e que aponta as possíveis principais causas para o acidente com o voo JJ 3054 da TAM, em 17 de julho de 2007, considera duas hipóteses como principais causas para o acidente: falha mecânica ou erro humano.
Segundo o relatório, a maior possibilidade de causa para o acidente é de falha humana. “Ao compararmos ambas as hipóteses, a segunda [erro humano] parece ser a mais provável, uma vez que é elevada a improbabilidade estatística de falha do sistema de acionamento da AFU [sistema mecânico ligado aos manetes] durante o pouso, além do fato conhecido de que o lapso humano é um componente freqüente e esperado em qualquer sistema complexo como o da aviação”, diz o relatório.
Segundo o coronel Fernando Camargo, que presidiu a investigação, a chance de um problema mecânico na aeronave da Airbus é de uma em cada 400 trilhões de horas voo.
O relatório aponta ainda problemas no treinamento nas tripulações da TAM. “Foi identificada pela investigação a percepção de uma tendência por parte da empresa aérea de reduzir a carga horária aplicada ao treinamento das tripulações”, disse o coronel ao listar os fatores que cooperaram para o acidente.
Os investigadores também disseram que foi identificada entre os funcionários da TAM uma percepção de que eles evitam pousar em destinos diferentes do que os previstos nos bilhetes. “Foi identificada pelos investigadores que havia percepção nos funcionários de evitar pousos em lugares alternativos por gerar problemas para a empresa e para os passageiros. Isso pode ter influenciado na decisão de pousar em Congonhas”, avaliou o coronel.
O relatório mostra que a pista de Congonhas apresentava problemas para pousos com chuva, mas ainda assim a ausência de uma área de escape naquele aeroporto não foi considerada pelos militares como um fator contribuinte para o acidente. “Não identificamos a falta de área de escape como um fator contribuinte”, disse Camargo.
