Parte das 75 famílias de sem-teto ligadas ao Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) começou a deixar, ontem, a área de cinco hectares onde moram há pelo menos dois anos. O terreno pertence à Prefeitura Municipal de Ibateguara.
Logo no início da manhã, uma comissão formada pelo oficial de Justiça. Alan Nogueira, coronel Francisco de Assis, do Comando de Policiamento dessa Área do Interior, tenente-coronel José Expedito, do segundo Batalhão de Polícia Militar de União dos Palmares, e o tenente-coronel Robson Gomes, do centro de gerenciamento de crises da Polícia Militar, esteve no local para anunciar a ordem de despejo expedida pelo juiz José Alberto Ramos, que determinou a desocupação da área em 24 horas.
Sem oferecer resistência, as famílias começaram a desmontar as moradias e deixar o local. Mas, segundo a previsão do coordenador estadual do MTL, Antonio José da Silva, a estimativa para que todos os sem-teto saiam da área é de três dias. As negociações para a desocupação foram acompanhadas por 125 policiais militares dos batalhões de Novo Lino e Maragogy, que ficaram de prontidão no ginásio de esportes do município. Uma equipe de médicos e enfermeiros também acompanhou as negociações.
Algumas famílias foram deslocadas para as margens da BR-416, enquanto outras foram levadas de caminhão para o assentamento “Onça”, no município de Novo Lino. A prefeita Eudócia Caldas voltou a afirmar que chegou a negociar com as lideranças do MTL por mais de 7 vezes, explicando que a área ocupada seria destinada para a construção de uma vila serrana dotada de barracas, espaço cultural e palco para a realização de shows.
Segundo ela, uma verba do Ministério da Cultura, estimada em R$ 750 mil, já estaria garantida para essa finalidade. A versão é contestada pelas lideranças do MTL, que afirmam ainda que o secretário estadual de infra-estrutura, Marcos Firemam, teria servido como interlocutor entre o MTL, e a prefeitura para utilizar a área para a construção de 300 unidades residenciais. Para isso, ressalta o movimento, teria pedido a prefeita um prazo de 90 dias para viabilizar esse conjunto residencial. Ainda no fim da tarde de ontem, dois ônibus conduzindo homens da PM, além de vans e duas viaturas da própria polícia deixaram o local com destino aos seus batalhões.
Mesmo assim, 20% dos sem-teto continuam no local, removendo madeiras das casas para construir novas moradias no local para onde foram deslocadas, as margens da rodovia federal. “A gente precisa reutilizar a madeira para poder construir nossos barracos”, explicou um morador sem-teto, sem se identificar. A previsão é de que as famílias deixem o local nos próximos três dias.
