A participação do líder da extrema-direita, Nick Griffin, do Partido Nacional Britânico (BNP, na sigla em inglês) em um programa da BBC, desencadeou uma reação de furor sexta-feira, com disputas sobre racismo e censura e alegações de que sua presença na TV ajudará seu partido a conquistar apoio nas eleições de 2010. Nas legislativas europeias de junho, o BNP conquistou quase 1 milhão de votos, 6% do total, e duas vagas no Parlamento.
Durante a tensa mesa-redonda, Griffin defendeu o fato de ter dividido uma plataforma com um líder da Ku Klux Klan, afirmou que nunca foi condenado por negar o Holocausto e críticou os gays e o Islã.
Jornais britânicos se uniram na condenação a Griffin, com manchetes como Fanático é encurralado e Sou o homem mais odiado da Grã-Bretanha, enquanto o líder do BNP acusava o público do programa de ser uma “turba linchadora”.
– Infelizmente tenho certeza de que, no longo prazo, isso (o debate) vai beneficiar o BNP – disse Ivor Gaber, professor de Campanhas Políticas na City University de Londres. – O formato converteu (Griffin) em um Daniel na cova dos leões e deve ter gerado um pouco da tradicional simpatia britânica por quem está por baixo.
Sob fogo cerrado de alguns críticos por ter decido incluir Griffin na mesa-redonda ao lado de políticos dos principais partidos, a BBC disse que o público normal do programa Question Time, que geralmente é de cerca de 2,5 milhões de pessoas, subiu para 8 milhões na noite de quinta-feira.
– Isso revela claramente o interesse dos espectadores em ver políticos eleitos sendo interrogados pelo próprio público. A BBC se mantém firme em sua posição de que foi apropriada a presença de Griffin – disse Mark Byford, vice-diretor da BBC.
O BNP se disse insatisfeito com o formato do programa, que focou quase inteiramente em seu partido, e disse que vai registrar uma queixa formal.