O auditor fiscal da Prefeitura de Vitória e professor universitário, César Augusto Silva Barbosa, 53 anos, está sendo procurado pela polícia do Espírito Sabto e é suspeito de assediar crianças pela internet, por meio de mensagens de texto, MSN. A polícia chegou a César Augusto depois que a mãe de uma menina de 12 anos, moradora de Brasília, apresentou denúncia. A menina contou para a mãe o teor das conversas que mantinha com um homem na internet. A mãe, desconfiada do assédio, se passou pela filha e gravou as mensagens.

A Polícia Civil do Espírito Santo possui dois CDs com conversas e vídeos do acusado. Em um dos diálogos, ele confessa que mantém conversas com crianças até do exterior. Em um dos vídeos, ele aparece nu e toca o corpo para a criança ver. O auditor está com o mandado de prisão em aberto desde o dia 15 deste mês, quando o documento foi expedido pela 1ª Vara Criminal de Vila Velha, cidade onde ele reside.

O delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Eletrônicos (Nurecel), Rafael da Rocha Corrêa, disse que o auditor contava à criança que os dois fariam "brincadeiras do prazer".

- Foram muitas conversas pornográficas, sendo que essas conversas tinham um teor muito obsceno. O investigado estava tentando fazer com que as crianças aprendessem a se tocar, a praticar a masturbação - conta o delegado.

O auditor foi indiciado em dois artigos do Código Penal por aliciar, instigar ou constranger criança com o fim de cometer ato libidinoso e por praticar ato libidinoso na presença de menores de 14 anos. A pena para esses crimes pode variar de quatro a 11 anos de prisão.

As gravações foram feitas em 2008 por um programa de computador que a mãe da criança baixou da internet para registrar as conversas do MSN. Além do texto, o programa também registrou as imagens da câmera em que o suspeito aparece nu e se masturbando.

O inquérito foi aberto pela polícia de Brasília e encaminhado à Polícia Civil do Espírito Santo. Por meio de investigações, chegou-se ao nome e endereço do suspeito. No dia 9 deste mês foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa do auditor. Um computador foi apreendido e, de acordo com o delegado do Nurecel, na máquina foram encontradas fotos pornográficas de crianças e adolescentes.

Em depoimento prestado ao delegado Rafael Corrêa no início deste mês, o suspeito confessou que conversava também com outras crianças pela internet. A polícia acredita que ele participe de uma rede de pedofilia na rede, o que ainda será investigado.

Embora o mandado de prisão tenha sido expedido há mais de uma semana, o delegado conta que decidiu divulgar o nome e as imagens do auditor somente neste sábado porque aguardava que o suspeito se entregasse, o que não ocorreu.

O delegado espera que com a divulgação das informações e imagens, a população ajude a polícia a localizá-lo.

Segundo a polícia, ele usava o apelido 'Devo Gado' para travar contato. Na gravação que está em poder da polícia, o diálogo é travado por ele e a mãe da menina, que se fazia passar pela filha para flagrar as conversas.

"Você gosta de crianças?"

Devo Gado - "Gosto de meninas de 12,13, 14,15, 18, 19 ..."

"Aonde você pegou meu msn?"

Devo Gado - "Tenho amiguinhas de 9 anos, 10 ...Até no exterior, Portugal, Espanha"

"Mas isso não dá cadeia?"

Devo Gado - "Não, se não tiver abuso. Há que se ter respeito"

"Você gosta de brincar de quê?"

Devo Gado - "Brincadeiras de prazer"

O advogado Cristiano Milson Lazarini Feliciano, que faz a defesa do auditor suspeito de pedofilia, disse neste sábado que as conversas que o cliente dele manteve com a criança não configuram crime.

- É no máximo uma conversa imoral com uma criança, se for realmente um criança - afirmou.

Ele alega que não é possível provar se quem falava com o homem era mesmo uma criança ou um adolescente, já que a pessoa não estava com a câmera ligada e não aparece nas imagens gravadas no MSN.

- Quem garante que era uma criança do outro lado? E porque que essa criança deu assunto a esse rapaz? Tem que se investigar isso - defendeu.

O advogado disse ainda que a lei não prevê penas para conversas via Internet.

- A lei é bem clara quando fala em pedofilia e crimes correlatos. Ele teria que ter imagem das crianças na Internet. As imagens que tem lá são apenas dele. Essa suposta criança está do outro lado, então não há tipificação para isso- argumentou.

A defesa questionou ainda a divulgação, pela polícia, do nome e imagens do auditor que, segundo o advogado, não estaria foragido. Ainda de acordo com Cristiano Milson Lazarini Feliciano, o suspeito desconhece a existência de mandado de prisão em aberto contra ele. Além disso, aguarda pela análise do pedido de relaxamento de prisão, o que deve ocorrer na próxima segunda-feira.