Assim como acontece na natureza em períodos que antecedem grandes terremotos, tudo estava aparentemente tranquilo para o governador Cid Gomes (PSB). O clima era de paz e amor entre os aliados, a oposição permanecia tímida e cresciam os indícios de uma eleição estadual morna e insossa no ano que vem. Nos últimos dez dias, entretanto, o cenário estremeceu. Após intensas movimentações nos bastidores e na superfície, ganhou força a possibilidade de uma disputa mais competitiva do que a ampla base de apoio de Cid permitiria fazer supor.

O pivô do desequilíbrio foi a prefeita petista Luizianne Lins, antes fiel e incondicional sustentadora da reeleição de Cid. Há exatos 10 dias, ela disse ao O POVO que o PT pode lançar candidato próprio ao Governo do Estado, caso o deputado federal Ciro Gomes (PSB) realmente entre na disputa pela Presidência da República.

As declarações de Luizianne irritaram o Palácio Iracema. No dia seguinte, Cid deu o recado: ``se estão querendo que o Ciro desista por minha via, quem pensar assim está redondamente enganado``. Na última quinta-feira, ele embaralhou ainda mais o jogo ao dizer que seria capaz de abrir mão da disputa, em prol da candidatura de Ciro.

Em outra frente, partidos como PR e Psol também contribuíram para esquentar o clima. Pela primeira vez, o prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa (PR) anunciou que vai, sim, deixar o comando do município para enfrentar Cid no próximo ano. Empenhado em formar um bloco de oposição com DEM, PPS, PTB e, quem sabe, PSDB, Pessoa disse acreditar que a aliança pode garantir um tempo considerável na propaganda de televisão.

O vereador João Alfredo (Psol) também entrou na onda de pressão ao afirmar que não descarta a hipótese de entrar no embate. Todos os desdobramentos passaram pelas páginas do O POVO. (veja quadro à página 25)

Incógnitas
Tudo isso significa que Cid terá vida dura para se reeleger no próximo ano? Não necessariamente. Principalmente, porque parte dessas movimentações ainda está no plano das hipóteses. Tanto PT quanto PSDB - legendas que serão determinantes para tornar a disputa mais ou menos acirrada - ainda dividem espaço na base aliada do Governo. E, mesmo que essas siglas resolvam romper, há um segundo obstáculo a ser superado: existe um candidato que reúna, ao mesmo tempo, expressão política e capacidade de aglutinar alianças?