Mais de 3.000 policiais reforçam na manhã deste domingo a segurança na região dos morros dos Macacos e São João, na zona norte do Rio, após o confronto entre grupos de traficantes e PMs que deixaram ontem 12 mortos e oito feridos. A polícia retoma na manhã de hoje as buscas pelos traficantes.

O policiamento conta com homens da Polícia Civil e Polícia Militar e deve se manter por tempo indeterminado. Durante a noite, os policiais ficaram posicionados entre as favelas e a mata --local onde provavelmente estejam escondidos os traficantes. Durante o dia, os policiais farão buscas dentro da mata, já que a visibilidade é melhor.

O helicóptero blindado da Polícia Civil, o caveirão, ficará à disposição e caso haja necessidade será acionado para auxiliar nas buscas.

Após o confronto, a madrugada foi tranquila na região. Com medo de que se repetissem os ataques a ônibus praticados ontem pelos traficantes, as empresas de transporte colocaram menos veículos nas ruas, causando transtornos a passageiros. No entanto, nenhuma ocorrência foi registrada.

Os confrontos de ontem entre traficantes e policiais deixaram 12 mortos --dez suspeitos de dois PMs--, segundo informações da Polícia Militar. Um helicóptero da PM foi derrubado pelos criminosos. Após os ataques, o governo do Rio recusou ajuda da Força Nacional.

Também foram queimados 12 veículos por criminosos envolvidos nos confrontos. Embora a PM tenha confirmado oito ônibus incendiados, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do RiO) confirmou dez ônibus queimados. Também foram atingidos pelo fogo, um carro e um caminhão da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio).

Confrontos

Os confrontos tiveram início na madrugada de sexta para sábado, quando criminosos do morro São João tentaram invadir o morro dos Macacos em disputa pelos pontos de venda de drogas. O morro São João é controlado pela facção criminosa CV (Comando Vermelho), enquanto o morro dos Macacos, pela ADA (Amigos dos Amigos). Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, a polícia sabia da invasão planejada pelos traficantes.

De acordo com o secretário, após a informação, o policiamento no local foi reforçado, mas destacou a dificuldade em impedir invasões do local devido a grande quantidade de acessos que possui o morro.

A Polícia Militar ainda afirmou que quatro diferentes batalhões foram deslocados para reforçar o policiamento após a informação de invasão, e destacou que um grupo de traficantes foi interceptado e, após tiroteio, impedido de acessar o morro dos Macacos.

Ainda de acordo com a PM, os confrontos deixaram oito pessoas feridas, entre eles, dois moradores do morro dos Macacos e outros seis policiais militares --um deles em estado grave.

Após os confrontos, a PM realizou uma operação para derrubar barricadas no morro São João, na zona norte do Rio, feitas por traficantes para dificultar o acesso de policiais.

Força Nacional

Após os confrontos, o ministro da Justiça, Tarso Genro, conversou com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e ofereceu a ajuda da Força Nacional para controlar a ação dos traficantes, mas, segundo o ministro, o governador recusou a ajuda.

De acordo com o ministro, Cabral disse que a Polícia Militar e a Polícia Civil têm equipamentos e condições suficientes para continuar o seu trabalho, cujo sucesso não depende de mais pessoal nem de mais armamentos, mas da continuidade das ações preventivas para o enfrentamento do crime.

Helicóptero

Traficantes atiraram em um helicóptero da PM que sobrevoava a região dos morros dos Macacos e morro São João, na Vila Isabel (zona norte do Rio). O piloto tentou pousar, mas a aeronave explodiu quando tocou o solo, causando a morte de dois policiais. Outros quatro ficaram feridos.

Segundo testemunhas, o helicóptero foi atingido na traseira, possivelmente na hélice, o que deu início ao fogo. O piloto Marcelo carvalho foi baleado no pé, O outro piloto, capitão Marcelo Vaz, mesmo queimado e com pouco controle sobre o aparelho, conseguiu pousar em um campo de futebol, evitando atingir prédios.

No solo, o helicóptero foi destruído pelas chamas. Os soldados Marcos Macedo e Ediney de Oliveira não conseguiram saltar. A perícia não achou vestígios de tiros nos corpos.

Moradores elogiaram o piloto. Luis Rocha, 61, conta que o helicóptero deu um rasante sobre a favela até alcançar o campo. "Ele foi muito gente boa. Se esforçou para não cair nas casas."