Um ano após o enterro da estudante Eloá Pimentel, a sepultura da adolescente no cemitério particular Santo André, no ABC, ainda mantém resquícios das visitas e homenagens cada vez mais esparsas. Flores de plástico, artesanato japonês, velas e até mesmo dois CDs sem identificação estão sobre a lápide e sob a foto em que Eloá aparece sentada e sorridente segurando o espaldar de uma cadeira. Até quinta-feira (15), não havia no cemitério previsão de cultos ou homenagens públicas a Eloá.
A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, assina uma placa sobre a sepultura da filha para agradecer as demonstrações de carinho: "Agradeço a todas as pessoas, de todo o coração, que veio visitar o túmulo da Eloá, que Deus abençoe a todos vocês."
Morta em 18 de outubro do ano passado ao ser atingida por por dois tiros, na virilha e na cabeça, Eloá foi sepultada no dia 20 sob clima de comoção. Lindemberg Alves Fernandes, que a manteve refém por mais de cem horas, está preso. "Nos primeiros meses, vinha muito mais gente. Agora parou um pouco. Uma vez veio um rapaz de Minas Gerais e chorou muito no túmulo dela", disse uma funcionária do cemitério que pediu para não ter o nome revelado.
O nome de Eloá virou referência para encontrar o cemitério, o bairro onde ela morava e até a região da cidade em que tudo se passou há um ano. No cemitério, todos os funcionários sabem de cor o número da sepultura e da área em que a adolescente foi enterrada.
Preso em flagrante e denunciado por sequestro, cárcere privado, tentativa de homicídio, homicídio e posse ilegal de arma, Lindemberg aguarda julgamento na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo.
A defesa de Lindemberg impetrou dois habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, um com pedido de liberdade provisória e outro para suspender o andamento do processo. As liminares foram negadas, mas o gabinete do ministro Celso Limongi analisa o mérito das ações e já recebeu pareceres do Ministério Público Federal sobre o assunto.
Lindemberg também aguarda a manifestação do desembargador Pedro Menin, da 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça, que analisa recurso contra a decisão que leva Lindemberg ao Tribunal do Júri.
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, disse em entrevista por telefone que ele está bem de saúde, vive em uma cela junto com outros presos e recebe quinzenalmente a visita da mãe e das irmãs. De acordo com ela, Lindemberg é um preso de bom comportamento. "Ele nunca foi punido. Nunca teve nenhum problema", afirmou.
