Entre as crianças e os adolescentes que vivem nas ruas do Centro do Rio, quase metade está na companhia de um adulto. Isso, no entanto, não significa que estejam mais protegidos: a maioria desses acompanhantes não é um parente e, de um modo geral, eles interferem nas estratégias de ressocialização de meninos e meninas. Quem chegou a essa conclusão foi o professor Dario de Sousa e Silva, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Uerj, que acaba de concluir a pesquisa "Crianças e adolescentes em situação de rua no Centro do Rio". Durante o mês de julho, o pesquisador e sua equipe ouviram 173 pessoas de até 18 anos, sendo que a maioria dos entrevistados, 56,6%, tinha entre 14 e 16 anos incompletos.

O objetivo do levantamento era identificar o perfil dessa parcela da população e estabelecer metas que garantam a sua inserção na sociedade. O resultado do estudo está sendo usado pela Pastoral do Menor, que, em parceria com dez ONGs, em breve lançará um projeto integrando trabalhos sociais e políticas públicas, em benefício dos menores que vivem nas ruas.

- Não somos mais uma leva de meros exploradores, mas pessoas com perspectivas definidas. Temos uma meta, que é resolver a situação de 170 meninos em dois anos. Vamos verificar quem está em envolvido com drogas, furto, exploração sexual. Essas pessoas são invisíveis, temos que saber quem são, como está a sua saúde - disse Dario, que faz parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Uerj.

As entrevistas foram realizadas em três turnos, inclusive durante a madrugada. Os pesquisadores constataram que os jovens seguem a dinâmica das áreas de concentração de pedestres e de comércio. Ou seja, pela manhã, foram encontrados mais menores na região da Central e, a partir da meia-noite, estavam em maior número na Lapa, onde os pesquisadores presenciaram uma disputa entre dois grupos de meninos, aparentemente drogados.