Os pacientes brasileiros que sofrem de câncer renal avançado podem ser beneficiados com uma nova terap ia para tratamento da doença após falha da terapia convencional. De acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 40% dos pacientes brasileiros descobrem a doença em estágio avançado e sem chances de cura. Disponível no mercado brasileiro desde setembro, o Afinitor atua na inibição da proteína intracelular mTOR– responsável pela proliferação e crescimento das células cancerígenas–, reduzindo em 67% o risco de progressão da doença ou morte. A inibição da proteína mTOR é considerada um dos novos alvos da ciência para o tratamento do câncer. Seu efeito anti-tumoral também vem sendo estudado para diversos tipos de tumores como mama, gástrico, pulmão, linfoma, hepatocarcinoma e tumor neuroendócrino.
No Brasil, o Afinitor recebeu da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovação em caráter prioritário (fast track), concedida apenas a medicamentos para o tratamento de doenças sem alternativa de terapia disponível no mercado. Nos Estados Unidos, a agência reguladora Food & Drug Administration (FDA) aprovou Afinitor em março, também em caráter de urgência.
O Afinitor é indicado para os pacientes com câncer renal avançado e metastático, ou seja, quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo. Invariavelmente o tumor se torna resistente e sem resposta ao tratamento inicial com inibidores de VEGF, proteína responsável pela inibição da angiogênese (formação dos vasos que nutrem o tumor). Antes da chegada de Afinitor, após a falha dos inibidores de VEGF, o paciente não contava com nenhuma outra possibilidade de tratamento comprovadamente eficaz.
Resultados do estudo Record-01 avaliaram a atuação do Afinitor em mais de 400 pacientes com câncer renal avançado. Os dados mostraram que o medicamento é capaz de reduzir em 67% o risco de progressão da doença ou morte, mais que dobrando o tempo que o paciente fica com o tumor sob controle. As recentes descobertas representam um salto importante na forma de abordagem da doença. Até a década de 90, o câncer de rim era tratado com imunoterapia que conseguia resultados pouco eficazes e com diversos efeitos colaterais.