Em um dia decisivo nas negociações pelo fim da crise política em Honduras, os representantes do governo interino apresentaram uma proposta de renúncia do presidente interino Roberto Micheletti, mas ela não significaria o retorno automático do líder deposto Manuel Zelaya --cuja restituição segue como único ponto onde parece não haver consenso. O tema volta à mesa de negociações nesta quarta-feira.

No texto em discussão, segundo reportagem da Folha publicada nesta quarta-feira, os presidentes do Congresso e da Suprema Corte, que constitucionalmente substituem, sucessivamente, o presidente da República, também renunciariam, abrindo espaço para um conselho de ministros comandar o país (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Esse grupo seria formado por pessoas escolhidas pelas duas partes em conflito. O ministro de Governo, cargo mais importante do grupo, poderia restituir o presidente deposto em 28 de junho, desde que tivesse o aval da Corte Suprema --que ordenou a deposição de Zelaya por considerar ilegal sua insistência de promover uma consulta popular sobre a realização de uma Assembleia Constituinte no país.

A proposta, que não agrada Zelaya, faria com que Micheletti construísse uma saída honrosa para a situação.

No diálogo desta terça-feira, representantes das duas partes disseram ter concluído 90% do acordo, com consenso em sete dos oito pontos em negociação incluídos no Acordo de San José, a proposta do mediador da crise, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

"Todos os pontos já foram aprovados e já estão assinados. Só falta a restituição do presidente Zelaya", disse à Folha o ex-ministro do Interior e negociador Victor Meza, ao entrar na embaixada brasileira para se reunir com Zelaya.

A volta do presidente deposto volta à mesa de negociação nesta quarta-feira. "Vamos avançando, há um espírito de negociação afável. Se formos otimistas, podemos entregar ao país um acordo político-jurídico aceitável", ressaltou Meza, citado pela agência de notícias Efe, acrescentando que "amanhã [esta quarta-feira] há muitas possibilidades de êxito".

"Amanhã é a discussão-chave para nós", disse o ministro de Zelaya.

Em relação aos pontos definidos na semana passada, Meza confirmou que já foi assinado "o compromisso do presidente Zelaya de não convocar a Constituinte enquanto ele termina seu período presidencial", e que "o governo de unidade e integração será integrado quando for assinado o acordo" global.