número assusta. E faz parte de uma triste realidade. 67,1% das crianças e jovens do Ceará estão em situação de pobreza. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Síntese de Indicadores Sociais 2009. O número de jovens cearenses com até 17 anos que vivem em situação de pobreza ou de extrema pobreza superam a média nacional e nordestina.
A região Nordeste registrou 66,7%. Enquanto que a média nacional foi de 44,7%. ``A situação nas regiões menos desenvolvidas do País é mais grave``, atesta Paulo Cordeiro, gerente de planejamento e supervisão da unidade estadual do IBGE.
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio (Pnad) 2008, foi apontado que 34,5% dos jovens cearenses de até 17 anos residiam em uma casa com renda per capita de até 25% do salário mínimo, considerados extremamente pobres. Os 32,6% restantes vivem na pobreza com uma renda per capita de até meio salário mínimo. Na época, o salário mínimo era de R$ 415.
Na Região Metropolitana de Fortaleza, a estatística não muda muito. Mais da metade das crianças e jovens estava em situação de pobreza no ano passado. Foram registrados 21,7% dos jovens extremamente pobres e 31,8% vivendo na pobreza.
O filho do catador José Maria Santos, 46, faz parte desse número. Rafael Santos, 16, decidiu largar os estudos para ajudar o pai na coleta. ``Não dava para ficar vendo só meu pai se sacrificar para levar comida para casa``, afirma. São cinco pessoas sobrevivendo com aproximadamente R$ 200 na casa dele.
O levantamento da SIS 2009 destaca ainda que a renda da família é determinante para a frequência escolar, que aumenta conforme o nível de rendimento mensal familiar per capita. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos do Ceará verifica-se a maior diferença. Enquanto que o grupo pertencente às famílias do primeiro quinto de rendimento (20% mais pobres) apresenta 78,8% de frequência escolar. Os que integram as famílias do último quinto (20% mais ricas) tem 91,6%. Em Fortaleza, a média se é praticamente idêntica, passando de 78,9% para 96,7%.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, os dados também são alarmantes. A taxa de frequência escolar passa de 18,1% entre os mais pobres, para 45,6%, entre os mais ricos no Estado.
Para a economista e socióloga Rosangela Fernandes, os números atestam o alto nível de concentração de renda em Fortaleza e a necessidade de serem implantadas políticas sociais mais agressivas. Ela alerta que os índices de frequência escolar seriam ainda mais baixos caso não houvesse o programa Bolsa Família. ``É preciso investir mais em cultura, esporte e políticas sociais voltadas para os jovens``, alerta a socióloga.
RENDIMENTO DOS HOMENS É MAIOR
> Mesmo com maior escolaridade, a proporção de mulheres dirigentes (4,4%) ainda é inferior à proporção dos homens (5,9%). E, em todas as posições na ocupação, o rendimento médio dos homens é maior que das mulheres.
> Os afazeres domésticos são outra atividade de trabalho, preponderantemente, realizada pelas mulheres. Do total das mulheres ocupadas, 87,9% declararam cuidar dos afazeres. O percentual masculino é de 46,1%.
> No Ceará, 67,9% das pessoas de 10 anos ou mais ocupadas são homens. As mulheres são 47,8%. A faixa etária com maior percentual de ocupação, em ambos os sexos, é dos 30 aos 49 anos.
> Os dados do Pnad mostram ainda que 71,7% dos idosos do Estado moram na cidade - 28,3% residem no campo. Cerca de 37% são da cor branca, enquanto que 62,3% são negros ou pardos. Entre os idosos, 67,7% são aposentados, 7,4% são pensionistas e 7,2% são aposentados e pensionistas.
NÚMEROS
6,46%
É A TAXA DE MORTALIDADE NO ESTADO DO CEARÁ
18,3%
É A TAXA BRUTA DE NATALIDADE, SEGUNDO OS DADOS DA PNAD