O diálogo que começou nesta quinta-feira na tentativa de encerrar a grande crise política que Honduras vive há mais de cem dias chegou a uma agenda que inclui a eventual assinatura de um acordo similar ao proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Árias, disse o chanceler daquele país, Bruno Stagno.

Stagno integra a missão de chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) que chegou em Honduras nesta quarta-feira (7) para mediar as negociações entre Manuel Zelaya, presidente deposto em junho passado, e o governo interino que se instalou desde então, sob a liderança de Roberto Micheletti.

O Acordo de San José foi a proposta de conciliação feita pelo presidente Árias, que prevê, entre outros pontos, a volta do presidente deposto à frente de um governo de união nacional, a anistia aos envolvidos na deposição e a antecipação, em um mês, das eleições presidenciais marcadas para novembro próximo.

Conforme o chanceler costa-riquenho, Árias disse "desde o primeiro momento" que o acordo não estava "escrito em pedra" e que persistem "algumas diferenças sobre a hierarquia" entre artigos do acordo, pois alguns "privilegiam" a reinstalação de Zelaya e, outros, assuntos como as próximas eleições.

Os membros da comissão da OEA, ainda de acordo com o chanceler, estão contentes com o fato de que tenha iniciado um "diálogo de hondurenhos" e com a atitude amistosa com a qual delegados de Zelaya e Micheletti teriam se tratado.

Nesta quinta-feira, a OEA se reuniu com Micheletti e, depois, com Zelaya, na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Zelaya está "abrigado" na embaixada, como define o governo brasileiro, desde o dia 21 de setembro passado quando, ainda conforme o Brasil, chegou de surpresa ao prédio. Zelaya corre risco de ser preso, em território hondurenho.