O Programa Saúde da Família (PSF) em Alagoas vem enfrentando a falta de médicos em suas unidades, em municípios que ficam distantes de Maceió, apesar dos salários serem mais atrativos e a carga horária de trabalho ser menor.
Algumas secretarias de saúde como a do município de Jequiá da Praia, que fica no litoral sul, a cerca de 70 km da capital têm aberto muitas vagas para médicos, com salários em torno de R$ 5.350, pretendendo realizar a contratação em caráter de urgência..
Para o presidente do Colegiado de secretários municipais de saúde do Estado, (Cosems/AL), Pedro Madeiro o maior problema, principalmente dos municípios do Alto Sertão é contratar médicos para atuarem na atenção básica, pelo fato da quantidade de profissionais formados no Estado ser insuficiente para a demanda, o que pode dificultar o financiamento do Ministério da Saúde.
“A migração de médicos é algo grave e aqueles municípios menores e mais distantes da capital são prejudicados. Alguns profissionais não cumprem a carga horária, causando problemas aos usuários, que não encontram o serviço na comunidade. O PSF é a porta de entrada do Sistema Ùnico de Saúde (SUS) e se há quebra nessa hierarquia, as redes de urgência e emergência da capital ficam sobrecarregadas, recebendo pacientes que deveriam ser atendidos na atenção básica”, afirmou Madeiro.
De acordo com Madeiro, a carência desses profissionais faz os gestores municipais oferecem altos salários, embora os médicos não criem vínculos com o município, esperando receberem propostas em outros locais para irem embora.
"Precisamos rediscutir esse novo modelo de PSF, porque ele é composto também por médicos, enfermeiros e odontólogos e a ausência de qualquer um desses profissionais prejudica o atendimento. Aqui existem apenas duas faculdades de medicina e a grande parte dos formados é de fora ou vai embora. Todos estudam com financiamento estadual e federal, por isso é preciso haver uma forma dessas pessoas assumirem o compromisso de ficarem no Estado por um tempo", ressaltou.
Segundo a secretária de saúde de Mata Grande, que fica no Sertão alagoano, Manoela de Alencar Malta, o município conseguiu contratar, há vinte dias, um médico para uma de suas unidades, após ter esperado quatro meses. Mesmo com o médico trabalhando apenas quatro dias na semana, ela afirmou ser difícil encontrar profissionais interessados.
“Acredito que o problema esteja na distância desses municípios em relação à capital, porque a maioria dos médicos já tem casa e uma vida estruturada ou não quer se deslocar para o interior. Para chegar a Mata Grande são quatro horas de viagem. Os salários são praticamente os mesmos em todas essas cidades, mas ainda assim não é complicado”, destacou Manoela.
Ela explicou ainda, que o município possui seis PSFs, com duas equipes, formadas por médicos, enfermeiros e agentes comunitários e de saúde. “São seis médicos no PSF, pois temos vinte e cinco mil habitantes. Contamos com um hospital que tem ginecologistas, pediatras e outras especialidades para atender a população”.
