O embate entre o deputado federal Carlos Alberto Canuto (PSC) e o prefeito de Pilar, Oziel Barros (PT do B) toma a cada dia rumos maiores. Há algumas semanas, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) publicou no Diário Oficial do Estado o andamento da ação que pede a cassação do mandato do prefeito. O julgamento deverá ocorrer até o final de novembro.

A briga entre Canuto e Oziel começou após o ex-presidente da Câmara Municipal de Pilar assumir a prefeitura, após a cassação do ex-prefeito Marçal Prado, decidida pelos próprios vereadores, que o acusaram de desviar recursos da ordem de R$3.5 milhões do cofre da prefeitura.

Como o vice-prefeito, Beto Campanha, havia sido morto em janeiro de 2007, uma eleição indireta ocorreu. Nos bastidores, Canuto articulou para eleger Oziel como prefeito, e conseguiu. O que ele não esperava era que o ex-vereador fosse lhe “trair”, rejeitando seus pedidos e principalmente, não desistindo de se candidatar a reeleição, o que era combinado com o deputado.

A situação não deu outra. Os dois se tornaram inimigos ferrenhos e com a chegada da eleição de 2008, nada mais justo do que os dois se enfrentarem. Barros conseguiu se reeleger e Canuto saiu enfraquecido do pleito.

Apesar daí começaram os conflitos nos bastidores. Durante a campanha, a Polícia Federal apreendeu um caminhão de material de construção que teria sido doado pelo prefeito em troca de votos. Era o que faltava para começar uma guerra judicial.

Canuto entrou com um processo pedindo a cassação do diploma do prefeito por compra de votos. O recurso está em andamento no TRE e as informações dão conta que deverá ser julgado ainda esse ano.

O Cadaminuto tentou entrar em contato com o prefeito Oziel Barros, mas o telefone de contato não foi atendido. Já o deputado federal Carlos Alberto Canuto contou sobre sua expectativa em ser realizada uma nova eleição no município, caso o prefeito seja condenado. Na eleição do ano passado, como Oziel obteve mais de 51%, caso perca o mandato, será obrigatório um novo pleito.

Canuto explicou que o processo em andamento no TRE foi registrado na procuradoria e que aguarda apenas a conclusão do relator. “Espero com expectativa e apreensão”, completou o parlamentar, contando ainda que o homem preso durante a averiguação da PF por aceitar material de construção nunca fez parte do programa habitacional da Caixa.

“Adulterou a Caixa Econômica. Chegou à informação de caixa adulterado. Um cidadão foi preso em flagrante e o prefeito disse que ele fazia parte de um programa, só que a caixa conferiu e mostrou que ele nunca participou do programa. Tudo contrário do que ele disse. Essa é uma questão que cria mais um problema pra ele”, disse.

Sobre o decreto do Ministério Público Estadual em bloquear os bens do prefeito por estar envolvido na Operação Pesca Bagre, onde várias pessoas foram presas acusadas de desvio do dinheiro público, Canuto afirmou que foi uma decisão sabia. Para ele, não tem como construir um grande patrimônio sem receita.

“Eu vejo um pessoal muito malandro. Sabe fazer as coisas. Não tem receita nenhuma. Não pode ter construindo um patrimônio desses. È só conferir na Receita federal. Todo mundo sabe dos laranjas que ele tem. Vamos esperar o resultado”, concluiu.
 

Nota de esclarecimento

O prefeito Oziel Barros, por meio de sua assessoria de comunicação, emitiu uma nota de esclarecimento ao Site CadaMinuto explicando alguns pontos abordados na matéria. Leia o texto na íntrega.

Em razão de algumas matérias divulgadas, nesta manhã (05/10), a cerca de processo em andamento no Tribunal Regional Eleitoral, onde nosso adversário – que perdeu a eleição em Pilar – tenta ludibriar a opinião pública com a criação de factóide, necessitamos esclarecer o que segue:

- Nos autos do processo mencionado comprova-se a existência do Programa Social de Habitação (PSH), firmado entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Municipalidade de Pilar/AL, por declaração expressa e legítima por quem de direito;

- Às fls 1204/10 - precisamente 1.209 - o Sr. José Petrúcio, aparece como beneficiário do Programa Social de Habitação (PSH), firmado entre a CEF e a Municipalidade de Pilar/AL, por declaração expressa e legítima por quem de direito;

Estes são os fatos.

Quer o nosso adversário – que perdeu a eleição – que a imprensa e a opinião pública seja manipulada em razão de seus interesses inconfessáveis.

Quer o nosso adversário – que perdeu a eleição – que a nossa administração, com índices invejáveis de aprovação, sem um recurso sequer advindo de seu trabalho como parlamentar, diga-se, seja desestabilizada em razão dos seus objetivos para 2010.

Infelizmente, somos obrigados a denunciar mais essa tentativa que, sabemos, não está do lado da verdade como todas as outras intentadas por nosso adversário, que perdeu a eleição.

Pilar, 5 de outubro de 2010.

Oziel Barros e Renato Canuto