O presidente da Bolívia, Evo Morales, assegurou hoje que não planeja alterar a Constituição do país para disputar uma hipotética segunda reeleição, caso vença o pleito de 6 de dezembro com apoio suficiente para aprovar tal reforma.
"Nunca pensei na reeleição, nunca pensei na reforma (da Constituição) e menos ainda para a reeleição", assegurou o governante boliviano em entrevista coletiva em La Paz a veículos de imprensa estrangeiros.
Morales disputa a reeleição em dezembro e disse que deseja conseguir uma maioria de dois terços na futura Assembleia Plurinacional (equivalente ao atual Congresso), mas com o objetivo de avançar na aplicação da nova Carta Magna, aprovada em referendo em janeiro.
"Para acelerar a implantação da Constituição, precisamos ter dois terços. Sou muito sincero nisso, não tenho nada a esconder. É preciso aprovar muitas leis", afirmou.
Oito candidatos, incluindo Morales, disputarão a Presidência boliviana, em pleito que também vai eleger o vice-presidente do país e os 130 deputados e 36 senadores que formarão a futura Assembleia Plurinacional.
Todas as pesquisas de intenções de voto divulgadas até o momento apontam Morales como claro vencedor. Na última delas, ele aparece com apoio de 54%, contra 20% do ex-governador regional opositor Manfred Reyes Villa e 11% do empresário de La Paz Samuel Doria Medina.
Apesar dos bons resultados nas pesquisas, Morales lembrou hoje que ainda não é possível "cantar vitória" apesar de, segundo ele, ter "muita confiança no povo boliviano".
O presidente boliviano também aproveitou para expressar suas suspeitas de que "a direita", na oposição, prepara "planos, montagens e rumores" contra ele e os candidatos de seu partido, Movimento ao Socialismo (MAS).
Independentemente disso, Morales assegurou que se sente satisfeito e feliz de ter chegado à Presidência de seu país.
"Se amanhã tiver que ir para minha casa, (estarei) contente e feliz, porque nunca pensei em ser presidente. Nunca sonhei, nunca foi minha meta, não sei como cheguei aqui", declarou à imprensa estrangeira. EFE