A crise no Partido da Mobilização Nacional (PMN) teve seu estopim na tarde desta terça-feira, durante a sessão da Assembleia Legislativa de Alagoas, quando o deputado Arthur Lira foi a bancada informar sua desfiliação do partido, presidido pelo pastor Ildo Rafael e que tem como maior líder, o deputado federal Francisco Tenório (PMN).
Segundo Lira, que é filho do deputado federal Benedito de Lira (PP), o PMN passou a ter posições pessoais e não de partido, após o ex-deputado Celso Luiz (PMN) perder o controle da executiva estadual para Chico Tenório.
“Estou me desfilando por vários motivos. O PMN com Celso Luiz aglutinava a sua situação de conciliador e sempre de uma pessoa harmoniosa. Mas, após sua saída, passou a ter posições que divergem das minhas coisas. A atual executiva nunca me convidou pra uma reunião da executiva”, explicou.
O parlamentar contou que outro motivo é que foi informado por testemunhas, de que se pleiteasse uma candidatura a deputado federal, teria seu nome cortado. “Meu pai é candidato ao senado e posso me candidatar a reeleição ou a uma vaga na câmara e no PMN não me querem candidato a deputado federal”, completou.
"Nunca foi feito qualquer solicitação de desconto de minha folha de salário. Há um mês, o jornal Extra publicou a notícia de que o presidente Ildo Rafael chamou todos os deputados de caloteiros. Desafio a qualquer membro do partido mostrar qualquer documento, dizendo que foi feito alguma cobrança a qualquer deputado”, afirmou.
Para Lira, alguns parlamentares podem se acomodar ou até aceitar o momento atual do PMN, mas ele lutará na justiça eleitoral sua saída. “No momento oportuno, estarei com todas as provas e documentos do que acontece hoje dentro do PMN, que funciona como uma senzala. Os deputados se sentem ameaçados, acorrentados, axibatadas. Na próxima sexta-feira irei para o PP”, concluiu.
Gilvan Barros
Outro deputado que usou o plenário para falar de sua saída do PMN foi Gilvan Barros. De acordo com ele, foram vários os motivos para a decisão, principalmente por “grave descriminação” do diretório estadual do partido.
“Nunca me prestigiaram. Não fui convidado sequer a uma reunião. É uma desmoralização a todos. Por não concordar com essas atitudes, por vir sofrendo grave descriminação, protocolei a desfiliação, mesmo sabendo dos riscos. Não podemos aceitar que sejam impostas determinadas situações. Que seja obrigado a votar em determinado candidato. existe alguns que esqueceram que a ditadura passou. Temos que ter respeito. Fomos ameaçados com a perda de mandato. Seja o que deus quiser, mas temos que correr o risco de uma cassação”, falou indignado.
