Sandro Castellani, dono da casa de fogos de artifício que explodiu quinta-feira, em Santo André, em São Paulo, deve se apresentar à polícia nesta segunda-feira. Segundo parentes, ele e a mulher Conceição Fernandes, estão negociando sua ida à polícia. E, segundo a família, ele vai confirmar que as explosões começaram durante o conserto de uma antena no telhado. No acidente, morreram duas pessoas e diversos imíveis foram afetados. Sandro pode ser indiciado por homicídio.
- Ele contou que vai se apresentar com advogado na segunda-feira e vai esclarecer tudo. Vai provar que não fabricava fogos, que não era clandestino - diz o sobrinho Luciano Fernandes.
Cunhado de Sandro, o funileiro Sebastião Fernandes, de 47 anos, diz não saber o paradeiro dos parentes.
- Falei com ele na noite desta sexta. Foi a primeira vez que conversamos desde o acidente. Nos falamos pelo celular e eles não dizem onde estão. Estão abalados com o que ocorreu e com o que vem se falando deles, que são marginais, vagabundos - disse o cunhado de Sandro.
Segundo o parente, a loja de fogos não estava aberta ao público, já que passava por reformas.
- A loja não estava aberta, pois estava em reformas. Tanto que o Sandro ficou a semana inteira passada no sítio da família. É preciso conversar para ver o que aconteceu de verdade, mas ninguém veio me procurar. Eles são trabalhadores, sempre fizeram as coisas corretamente. Não forçaram acontecer o que aconteceu - diz.
Segundo Sebastião Fernandes, Sandro estava arrumando a antena no telhado com outro rapaz, quando ela escapou e atingiu os fios de alta tensão.
A casa de Sandro e Conceição, em Santo André, está vazia desde a explosão. Vizinhos temem que no local também esteja armazenada grande quantidade de fogos.
Neste sábado, peritos recolheram tudo o que precisavam: fios elétricos, ferragens e materiais queimados. Nesta segunda-feira, eles devem receber da prefeitura uma planta do imóvel onde funcionava a loja de fogos. A ideia do Instituto de Criminalística é calcular a quantidade de pólvora estocada pelo comerciante e saber se o que havia ali era suficiente para causar tanta destruição.
Uma das hipóteses é que houvesse material inflamável no imóvel ao lado da loja de fogos.
-Ao lado funcionava uma oficina mecânica que trabalhava com material solvente. Então, existem algumas hipóteses que não podem ser descartadas - explica Nelson Golçalves, chefe do Núcleo do Instituto de Criminalística de Santo André.
A Defesa Civil de Santo André liberou neste sábado 21 imóveis. Quatro serão demolidos e seis interditados.
A lista dos móveis interditados é composta por cinco casas e um galpão comercial. Só depois de reformas e autorização da Defesa Civil é que os moradores poderão retornar a esses imóveis. O Fundo Social de Solidariedade, ainda de acordo com a prefeitura, deverá apoiar as famílias na reconstrução e recuperação dos imóveis.