A produção literária em Alagoas não se limita a grandes escritores conhecidos nacional e internacionalmente, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Lêdo Ivo e Aurélio Buarque de Holanda. Uma nova geração de poetas, contistas, romancistas e cronistas, inclusive dedicados ao público infantil vem ganhando espaço em livrarias e bibliotecas do Estado, alavancados por bienais, a exemplo da que será realizada no mês de outubro em Maceió.
Mas, entre as dificuldades sentidas por esses novos talentos da literatura está a falta de divulgação e ainda, de incentivo para a publicação das obras, visto que existem poucas editoras locais, como a Catavento e a Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), voltada principalmente para títulos científicos.
Alguns decidem publicar o livro de forma independente e recorrem à editoras de outros Estados, como a Bagaço e a Cortez, que já editaram várias obras alagoanas, ou contam com concursos literários locais e nacionais, que podem exigir cessões de direitos autorais, da parte do escritor, fazendo com que proprietários de editoras, organizadores de concursos e outros, tenham tantos direitos sobre a obra quanto o autor.
Entre esses escritores alagoanos, não tão novos para boa parte dos leitores, estão: Simone Cavalcante, Milton Rosendo, Nilton Resende, Vanessa Alencar, Ruth Quintella, Leonardo Pimentel, Cacá Martins, Arriete Vilela, Regina Sormani Ferreira, Cláudia Lins, Tiago Amaral, Maristela Posita, Fátima Maia, Fernando Fiúza, Maurício de Macedo, Pablo de Carvalho, Tazio Zambi, Socorro Cunha, Isvânia Marques, Carlos Nealdo, além de tantos outros.
A jornalista e escritora Simone Cavalcante, que em 2005 publicou o livro “Literatura em Alagoas: Ensino médio e vestibular" atualmente vem investindo no público infantil com obras como “Bob no país das verdurinhas”. Ela afirmou que já houve épocas em que era mais difícil publicar livros, devido ao alto preço para impressão.
“Estamos vivendo um momento diferente na história literária local. Na década de 70 era quase impossível publicar um livro. Embora isso ainda não seja popular, existem muitas possibilidades, como editoras em Recife e Rio de Janeiro. Mas, ao contrário do que pensam, a falta de incentivo para a literatura não é uma realidade do Estado, pois em Curitiba acontece o mesmo”, destacou Simone.
Ela explicou que publicar um livro em algumas editoras pode ser mais fácil, porque não há conselhos para aprovar e em alguns casos, extrair trechos. “Na Edufal, por exemplo existe um conselho. O preço para publicação varia de acordo com a tiragem e se tem ilustrações ou é colorido. A reprodução de cinqüenta exemplares pode custar cerca de R$ 2,000,00. Já os infantis têm menos páginas e por serem ilustrados, dois mil exemplares podem custar em torno de R$ 4.000,00. Se for em preto e branco, pode custar de R$ 2000,00 a R$ 4000,00”.
A escritora ressaltou ainda, que é necessário que o autor busque conquistar seu espaço e interaja com seu público, indo a escolas e distribuindo os livros em outros locais. “Conheço um autor daqui que reproduziu sete mil exemplares e vendeu até para a Índia. Ele divulga os livros em escolas do interior do Estado e vive disso”, contou.
Sobre a falta de interesse pela leitura em Alagoas ela afirmou que isso vem mudando e que a partir do momento que as pessoas começarem a cobrar, o poder público vai investir mais em literatura. “As bibliotecas daqui têm mais livros didáticos. A televisão e a internet podem ser aliadas da leitura. Se a pessoa encontra uma obra na internet, vai achar cansativo e vai procurar o livro. O Ebook não poderá substituí-lo", destacou Simone.
O escritor e ator, Nilton Resende lamentou a pequena quantidade de editoras locais e ainda, a pouca divulgação, inclusive para obras que foram premiados em concursos literários alagoanos, como no seu caso, que venceu, na categoria poesia, o projeto Alagoas em cena 2006 e publicou “Orvalho e os Dias. Para ele, a Bienal do livro pode ser uma boa oportunidade para os alagoanos divulgarem seu trabalho.
“Depois de publicado não há uma estrutura para que o livro seja distribuído para as livrarias. Ao invés de apenas promoverem eventos, as secretarias de cultura também devem dar atenção á literatura alagoana. Na última Bienal houve vários lançamentos, noites de autógrafos, mas isso só aconteceu durante o evento. Depois caímos no esquecimento”, afirmou Resende.

