Sandro Luiz Castellani, 40, proprietário da loja de fogos de artifícios que explodiu em Santo André (Grande São Paulo), na quinta-feira (24), matando duas pessoas e ferindo 15, deve se apresentar à polícia nesta segunda-feira (28). Segundo reportagem do "Jornal Nacional", da TV Globo, a família informou que ele vai dizer para os investigadores que as explosões começaram durante o conserto de uma antena no telhado do estabelecimento.

De acordo com a reportagem, um sobrinho de Castellani foi até o quarteirão destruído neste sábado. Ele disse que o tio vai se apresentar à policia na segunda-feira (28) para contar que o acidente foi causado quando consertava uma antena em cima da loja. "Deu um curto-circuito, caiu em cima da rede elétrica, porque a antena estava torta por causa da ventania do dia anterior e ele tentou consertar, e acho que estourou alguma tomada, computador dentro da loja, o que ocasionou a faísca", diz Luciano Fernandes.

O chefe do núcleo do Instituto de Criminalística de Santo André, Nelson Gonçalves, informou ao jornal que no imóvel ao lado da loja de fogos funcionava uma oficina mecânica, que trabalhava com material solvente. "Então, existem algumas hipóteses que não podem ser descartadas", disse Gonçalves.

Depoimento

A mãe de Sandro Castellani negou em depoimento à Polícia Civil que havia uma fábrica clandestina de explosivos no local. Sônia Maria Castellani prestou depoimento nesta sexta-feira (25) após deixar o hospital onde estava internada desde quinta-feira (24), quando o acidente ocorreu.

Apesar de não considerar Castellani e a mulher foragidos, o delegado titular do 3º DP de Santo André, Alberto José Mesquita Alves, não descarta pedir a prisão temporária do empresário. Segundo ele, Castellani deve responder pela explosão e pelos danos provocados pelo acidente.

"Nós conversamos com a mãe, com outros familiares, procuramos em todos os endereços conhecidos", afirmou o delegado, em entrevista concedida no final da tarde desta sexta. Pelo menos 12 testemunhas já foram ouvidas pela polícia.

O delegado disse ainda que não cessaram as buscas pelo comerciante, porém, afirmou que o indiciamento só deverá ser realizado após a conclusão dos laudos da polícia e do inquérito. Portanto, Sandro ainda não é considerado foragido da polícia.

Limpeza

A Defesa Civil de Santo André terminou na tarde deste sábado os trabalhos na área da loja. Após vistorias, foram liberados para os moradores 21 imóveis. Desde a explosão as pessoas estavam abrigadas na casa de familiares. Ainda estão interditadas cinco casas e um galpão --quatro imóveis foram muito afetados pela explosão e foram demolidos.

As casas interditadas deverão passar por reformas estruturais, e, após a conclusão das obras, a Defesa Civil deve fazer uma nova avaliação antes de liberar os imóveis aos moradores. A rua Américo Guazelli, onde ficava a loja que explodiu, continua interditada. Está aberta apenas para o trânsito local.

Na próxima segunda-feira (28) a Defesa Civil deve fazer uma nova vistoria, na qual será analisada sua liberação total. Em reunião na noite desta sexta-feira (25) entre uma comissão dos moradores atingidos pela explosão e o prefeito Aidan Ravin (PTB), ficou decidido que a prefeitura fará contato com entidades e voluntários para solicitar ajuda na reconstrução dos imóveis destruídos e danificados.