Uma nova forma de cultivo da palma forrageira foi apresentada aos produtores rurais, estudantes universitários e técnicos durante as atividades da 32ª Exposição Agropecuária da Bacia Leiteira (Expobatalha), nesta quinta-feira (24), no município de Batalha.

A palestra faz parte das ações do Projeto Alagoas com a Palma na Mão, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), com o apoio de diversos parceiros.

De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Suassuna, consultor do Alagoas com a Palma na Mão, pelo método de adensamento, quando a palma é cultivada com um menor espaço de uma unidade para outra, é possível obter uma produtividade que varia de 10 a 12 vezes maior que pelo método tradicional.

“Em apenas um ano e meio é possível obter 476 toneladas de palma por hectare. Já pelo método com o espaçamento tradicional, se produz em torno de 80 toneladas por hectare após três anos. Isso passa a viabilizar o pequeno módulo rural do semi-árido”, conta o pesquisador.

E ele realmente sabe o que diz, pois o recorde mundial de produtividade de palma é dele próprio: 732 toneladas de palma por hectare é quanto ele obteve em 2009, numa propriedade em Sergipe. Antes disso, ele havia chegado à marca de 611 toneladas de palma por hectare, numa região da Paraíba.

Viabilidade para o pequeno produtor — De acordo com casos acompanhados pelo pesquisador Paulo Suassuna, com apenas meio hectare de palma cultivada pelo método do adensamento, é possível alimentar dez vacas de leite o ano todo. “Há um exemplo no Sertão da Paraíba em que uma família sobrevive com a venda do leite de cinco cabras, e elas são alimentadas com palma forrageira”, revela Suassuna.

Segundo ele, todos os custos para se iniciar o cultivo da palma pelo método do adensamento, em meio hectare, chegam a R$ 3.500: “Isso inclui análise de solo, compra de sementes de palma, compra de adubos, pagamento de mão-de-obra e acompanhamento”.

Mas há casos em que o retorno é bem maior com investimento menor. “Um produtor de Canindé do São Francisco (SE) investiu R$ 2.500 em uma tarefa (1/3 de hectare) de palma para transformar em semente e, 13 meses depois, vendeu por R$ 19 mil”, revela, empolgado, Paulo Suassuna.

“O importante é oferecer tecnologia às famílias do semi-árido para que elas possam conviver com a seca e do trabalho delas obter renda. Esse é o caminho para o desenvolvimento da agricultura familiar”, destaca o secretário adjunto de Agricultura, José Marinho Júnior.

Além da palma, o gado de leite deve ser alimentado também com feno, feito a partir da palha do milho ou do sorgo. “Mas como a palma já representa 75% da alimentação animal, o produtor só vai precisar organizar esses 25% restantes”, explica Suassuna.

Transferência de tecnologia — Além dos produtores e do secretário de Estado de Agricultura, Jorge Dantas, estavam atentos à palestra do pesquisador Suassuna 22 alunos do curso de Zootecnia do campus Arapiraca, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). De acordo com a professora Janaina Martuscello, é importante que os alunos conheçam na prática esses exemplos para que possam se tornar multiplicadores do conhecimento.

“O que aprendem aqui eles vão aplicar em pesquisas na universidade para, em seguida, ajudar o produtor rural”, afirmou a professora, que é carioca, mas, desde que veio para Alagoas, há menos de dois anos, já adquiriu um grande interesse em estudar a palma.