Representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) se reúnem nesta quinta-feira (24), às 9h30, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em audiência de conciliação para tentar chegar a um acordo que coloque fim à greve da categoria, que já dura oito dias.
Dos 35 sindicatos filiados à Fentect, em apenas onze os trabalhadores não estão em greve - Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Ribeirão Preto (SP), Santos (SP), Bauru (SP), Juiz de Fora (MG), Uberaba (SP) e Santa Maria (RS).
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.
O que mais causa rejeição entre os trabalhadores entre todos os itens da proposta da estatal, e que está sendo decisivo para a continuidade da greve, é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigem que o acerto valha somente até o ano que vem, segundo a Fentect.
"O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente", diz Nilson Rodrigues, integrante da Fentect em Curitiba.
Adesão
Segundo a Fentect, ontem a adesão à greve foi de 55% dos trabalhadores, percentual que para os Correios chegou a 10% dos 109 mil funcionários da estatal.
A carga de entregas com atraso é de 46,7 milhões de correspondências e 392 mil encomendas, para um movimento diário de aproximadamente 33 milhões de correspondências e 770 mil encomendas. A maioria dos trabalhadores paralisados é formada por entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros, segundo a Fentect.
Seguem suspensos os serviços com hora certa - Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi e Disque-Coleta. O Sedex funciona, mas sem garantia de prazo para entrega, afirmam os Correios em nota.
Na segunda-feira (21), o TST determinou que fossem mantidos 30% dos funcionários em cada uma das unidades dos Correios, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil. Os Correios afirmam que, na terça-feira, a Fentect desobedeceu a determinação em 100 agências, informação negada pelos sindicalistas, que dizem ainda que não receberam nenhum documento das procuradorias regionais do trabalho.
Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.
Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.
Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."