Ainda sem ter previsão para encerrar, o julgamento do empresário de Arapiraca Moacir Barbosa, acusado de ser o mandante do assassinato da empresaria Vilma Leão, sua ex-esposa na época, que teve início na manhã desta quinta-feira (24), no Fórum Desembargador Orlando Manso, no município. Vilma Leão foi executada em 2004, por dois homens em uma moto, no momento em que chegava à sua residência, após um dia trabalho.


Na época, Moacir Barbosa, seu ex-esposo, foi apontado como principal suspeito de ter encomendado a morte da ex-mulher, devido aos constantes desentendimentos que o casal vinha tendo por conta da divisão dos bens. O caso ganhou tanta repercussão que chegou a ser exibido no programa linha direta, exibido pela Rede Globo.


O julgamento está sendo presidido pelo Juiz John Silas. Até o início desta tarde, apenas quatro testemunhas haviam sido ouvidas, entre elas os familiares de Vilma Leão, a filha, a irmã e um sobrinho que afirmou ter passado a tarde inteira com tia no dia do crime. Uma outra testemunha disse durante julgamento que no dia crime viu Barbosa seguindo o carro de Vilma Leão.


Durante os depoimentos Moacir Barbosa manteve sempre a sua cabeça baixa, apenas mantendo contato com seus advogados quando necessário.


Em depoimento o sobrinho, Wuarley Leão, contou detalhes como foi a última tarde ao lado da tia. Segundo Wuarley Leão, eles passaram a tarde inteira juntos e a mesma se encontrava muito aflita diante das diversas ameaças de morte. Vilma Leão ainda chegou a pedir ajuda do sobrinho para falar com seu primo que é delegado da Polícia Civil para ajudá-la. “Saímos de um restaurante por volta 17h, e ela disse que iria ao estacionamento para pegar o dinheiro apurado no dia, e depois seguiria para casa, mas com menos de uma hora recebi a notícia que ela havia sido assassinada”, relatou o sobrinho.


Wualy Leão disse ainda em depoimento, que na época soube boatos que os pistoleiros haviam recebido R$ 5 mil pela execução e trabalhavam como mototaxistas. Os acusados de ser os autores materiais foram morreram em uma troca de tiros com a Polícia, em Arapiraca.


A irmã de Vilma Leão, Lurdes Leão, disse que o casamento de Vilma e Moacir foi marcado por muitos problemas amorosos. “Moacir tinha várias amantes e isso foi um dos maiores motivos da separação do casal, além de sua agressividade”, destacou.


Lurdes informou que sua irmã era infeliz ao lado de Moacir, mas conseguiu conviver com o mesmo durante 30 anos. Moacir Barbosa é acusado também de estar envolvido na morte do seu filho de criação, Filipe, que durante todo o tempo após o crime defendia seu pai, mas ao perceber que estava errado denunciou o próprio pai como o mandante do assassinato de sua mãe, em uma emissora de rádio local de Arapiraca. Um ano após o crime Filipe foi executado em frente a um restaurante, em Arapiraca , por dois pistoleiros.

A filha do casal, Viviane Leão, deixou todos presentes no auditório emocionados. Ela contou que no dia crime estava na casa do pai, e que todos os dias ele era costumado a buzinar para abrir o portão, e no dia do crime ele mesmo abriu o portão e logo depois saiu falando ao telefone.


“Minutos ele voltou informando a morte da minha mãe. E de forma inesperada ele fugiu, e não retornou mais. Quem é inocente enfrenta todos os obstáculos e clama por justiça e não foge como ele fugiu.”, complementou


O julgamento continua nesta tarde e seguirá durante a noite.