A Secretaria de Segurança Pública informou nesta terça-feira que apenas quatro pessoas morreram atingidas por balas perdidas no Estado no primeiro semestre deste ano.

Entretanto, o número real pode ser mais que o triplo do que foi divulgado oficialmente, pois o Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável pelas estatísticas, informou que o caso só é computado como bala perdida se a expressão for assinalada no boletim de ocorrência das delegacias.

Um levantamento feito pelo Jornal do Brasil em casos que vieram a público revela que foram pelo menos 14 vítimas no período. Em todo ano, já foram 20 mortes. A última delas de Arlete Alves do Nascimento, de 66 anos, atingida em um tiroteio entre PMs e bandidos no último dia 8, em Bonsucesso (Zona Norte).

A Secretaria não computou, por exemplo, a morte de Júlia Andrade de Carvalho, de 8 anos, atingida por uma bala perdida em um tiroteio entre policiais e traficantes na comunidade de Vila Aliança (Zona Oeste), no dia 21 de março.

Ficou de fora também o caso de Ana Paula Farias de Luz, de 12 anos, atingida no peito por um tiro no final de maio, na Favela do Jacarezinho, quando brincava na porta de casa.

Ainda segundo os números divulgados nesta terça, 99 pessoas ficaram feridas no primeiro semestre de 2009 vitimadas por balas perdidas.

Aparelho

Até o final do ano, pelo menos três capitais brasileiras poderão aderir a uma tecnologia importada dos Estados Unidos que facilitará as investigações sobre casos de balas perdidas. A própria Secretaria de Segurança do Rio já tomou conhecimento do sistema, mas não informou se vai aderir.

A tecnologia, chamada de Sistema de Detecção de Disparos de Arma de Fogo, é desenvolvida pela ShotSpotter e usa censores de áudio.

Segundo o representante da empresa, Roberto Motta, a inovação permitirá que a polícia seja informada, em um período de 9 a 15 segundos após a ocorrência, de onde partiu um tiro em uma determinada localidade, quantos disparos foram feitos e o número de criminosos que usaram armas.

Essas informações, segundo Motta, seriam transmitidas para uma central de comando ou para viaturas policiais. Os aparelhos seriam instalados em construções altas e teriam um alcance de até 3 km.

O representante disse não poder revelar que administrações estaduais se interessaram, mas disse que o sistema funciona em 45 cidades dos Estados Unidos e que, depois de instalado, houve uma redução de 50% no índice de homicídios em Los Angeles, por exemplo.