O casal Villela e a empregada Francisca Nascimento podem ter sido dopados antes de morrer, no dia 28 de agosto , no apartamento da 113 Sul, em Brasília. Segundo uma fonte da Polícia Civil, a hipótese mais provável é que José Guilherme Villela (ex-advogado de Fernando Collor), Maria Villela e Francisca Nascimento da Silva estavam dopados na hora do crime, já que ninguém ouviu gritos vindos do apartamento do casal naquela noite. Além disso, a cena do crime não tinha manchas de sangue espalhadas, como é comum quando a vítima reage a tantos golpes de faca.
Pelo laudo do IML, as três vítimas foram mortas a facadas e não tinham marcas nas mãos, nem nos braços. Isso indicaria que elas não teriam tentado se defender. As vítimas também não tinham sinais de mãos amarradas ou de mordaça. Exames toxicológicos feitos pelo IML deram negativo. O que significa que elas não foram obrigadas a ingerir nenhum tipo de sedativo.
Uma das hipóteses da perícia é de que as vítimas tenham inalado algo como éter ou clorofórmio. Isso teria feito elas desmaiar. Essas substâncias são voláteis, ou seja, como os corpos demoraram três dias para ser encontrados, haveria tempo suficiente para evaporar. E, assim, não seria detectada nos exames do IML.
E um detalhe reforça essa hipótese: de acordo com a investigação, o corpo da empregada Francisca foi encontrado com um pano no rosto. Esses são alguns elementos que vão ajudar os peritos a concluir o laudo do Instituto de Criminalística, que descreve como o crime ocorreu. Esse laudo ainda não tem previsão de ficar pronto.
A delegada responsável pelo caso, Martha Vargas, foi no início da noite desta segunda-feira, dia 14, para o apartamento do casal Villela, na 113 Sul, em busca de mais provas. De acordo com a polícia, o casal Villela e a empregada foram mortos com 73 facadas. Na última sexta-feira, parentes do ex-advogado foram ouvidos por mais de 12 horas na 1ª Delegacia de Polícia de Brasília, na Asa Sul.
A polícia está fazendo um pente-fino nas movimentações financeiras mais recentes de José Guilherme Villela. Na quarta-feira da semana passada, a delegada Martha Vargas recolheu do apartamento alguns documentos e o computador do casal, que era mais usado por José Guilherme. Os arquivos do computador podem ser um caminho para pistas que levem ao assassino ou ao motivo do crime. Os investigadores estão vasculhando as movimentações financeiras mais recentes do casal.
A polícia já descobriu que José Guilherme teria ganho um processo antigo que tramitava no Supremo Tribunal Federal contra a União. Os honorários renderiam 12 parcelas, cada uma no valor de R$ 7 milhões. Duas já teriam sido depositadas. E há pouco tempo, José Guilherme Villela fez um seguro de vida. O casal era muito preocupado com a segurança pessoal, mas estranhamente o alarme de uma empresa privada instalado no apartamento deles não era ativado há pelo menos três meses.
