O município de Paulo Jacinto se rendeu aos pratos à base de inhame neste fim de semana, durante a 57ª edição da Festa da Chita. É que entre os dias 4 e 6 a cidade também foi sede do 6º Festival do Inhame do Vale do Paraíba, que ofereceu uma variedade de pratos doces e salgados à base desse alimento.

Uma das pessoas que experimentou e aprovou as receitas foi a professora Rejane Maria da Silva, que viajou de Viçosa a Paulo Jacinto com um grupo de seis colegas apenas para saborear os pratos. “É dez”, disse ela ao experimentar o pão de queijo feito com massa de inhame.

Além do pão de queijo, o visitante podia comprar pizza, sorvete, bolinho de bacalhau, coxinha, torta, vatapá, bombocado, pastel, rocambole e empanado feitos com massa de inhame. De acordo com a culinarista Edna Rodrigues Guimarães, que ministrou uma oficina para 16 mulheres do município que prepararam as receitas, pelo seu sabor neutro, o inhame serve muito bem tanto para pratos salgados como doces. “Trabalho há sete anos fazendo receitas à base de inhame e até agora já consegui cerca de 300 pratos”, revela a culinarista.

Ela destaca as propriedades nutritivas do alimento, que pode ser consumido por crianças e idosos, além de ser utilizado na merenda escolar. “O inhame contém vitaminas do complexo B, vitamina A e ácido ascórbico”, lembra Edna Guimarães.

Uma das alunas da oficina de culinária realizada uma semana antes do Festival é Rita dos Santos Silva. Para ela, o inhame poderá ser um diferencial na culinária. “Antes a gente só consumia mesmo o inhame cozido, puro, sem nenhum prato especial; eu já gostava de cozinhar, e a partir de agora vou pensar em um dia ter um comércio no ramo de alimento”, diz com ânimo a aluna.

“O inhame também é um produto típico da agricultura do Vale do Paraíba e pode estimular o desenvolvimento local”, afirma Liduína Alencar, articuladora do Projeto do Inhame que organizou o livro Receitas à base de inhame — Saúde e fertilidade na sua mesa, com receitas de Edna Guimarães.

Numa iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL), e prefeitura de Paulo Jacinto, o 6º Festival de Inhame do Vale do Paraíba também serviu para os produtores locais exibirem a qualidade do alimento cultivado.

Comitivas de agricultores saíram dos municípios vizinhos para Paulo Jacinto no sábado, dia 5, e levaram as melhores unidades colhidas para o concurso do inhame mais bonito e do inhame mais pesado.

Apoio aos agricultores — Na região atendida pelo Arranjo Produtivo Local do Inhame no Vale do Paraíba (APL), que envolve nove municípios, existem 980 hectares cultivados e cerca de 2 mil agricultores trabalhando. Estima-se que em todo o Estado há 2.290 hectares destinados ao cultivo do inhame e a produtividade média gira em torno de 12 toneladas por hectare. Além das feiras livres dos municípios da região, como Viçosa, o inhame do Vale do Paraíba também é comercializado na Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa) e nos supermercados, em Maceió.

Além das ações do APL do Inhame, os produtores contam também com o apoio da Seagri e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que adquire o produto por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para distribuir em escolas, hospitais e creches.

Outras entidades que apoiam os produtores locais são o Grupo de Impulsão do Agronegócio do Vale do Paraíba (GUIA) e a Cooperativa dos Pequenos Produtores de Inhame do Vale do Paraíba (Coopevale). Segundo Teócrito de Vasconcelos, presidente do GUIA, as principais dificuldades ainda são o acesso à terra, ao crédito, assistência técnica e comercialização.