O Brasil comprometeu o equivalente a 5,6% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em estímulos fiscais para combater a crise, proporcionalmente mais do que economias como Estados Unidos e Japão, que comprometeram 5,5% e 4,7% do PIB, respectivamente.
Os dados estão em estudo divulgado ontem, segunda-feira (7) pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).
Em compensação, os EUA comprometeram o equivalente a 81,1% de seu PIB em ajuda ao setor financeiro, na forma de compra de ativos "podres" e de participação em instituições financeiras em dificuldades, entre outros gastos. Já o Brasil comprometeu apenas 1,5% do PIB para o mesmo propósito. Já o Japão comprometeu o equivalente a 22% do seu PIB para ajudar os bancos.
Os dados da Unctad falam em recursos comprometidos porque há países em que o valor dos estímulos contra a crise já foi definido, mas ainda não totalmente gasto; algumas economias têm dois ou três anos de estímulos programados.
Na média, as economias em desenvolvimento comprometeram 4,7% de seus PIBs com estímulos fiscais contra a crise, abaixo do comprometido pelo Brasil; por outro lado, as ajudas ao setor financeiro foram de em média 2,9% do PIB, mais que o comprometido pelo Brasil.
Entre as economias desenvolvidas, mais estáveis e com PIBs muito maiores, a média de gastos com estímulos fiscais foi de 3,7% do PIB, mas a média de gastos com socorro ao setor financeiro foi de 48,5% do PIB.
A Unctad diz que as políticas de resposta à crise foram lideradas pelos Estados Unidos e que as ajudas iniciais "logo se mostraram insuficientes e tiveram que ser aumentadas e aprofundadas". Para o órgão da ONU, muitos governos de países em desenvolvimento também "embarcaram em políticas monetárias e fiscais expansionistas", mas que em muitos casos havia recursos limitados para ações contracíclicas ou eram usados recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional).
O órgão da ONU diz ainda que os países em desenvolvimento tiveram respostas diferentes no que diz respeito à política monetária; em alguns casos, como os do Brasil, Chile e México, a política monetária foi apertada no final de 2008 (os juros básicos foram aumentados), já que as moedas desses países estavam sob pressão.
Crescimento
A Unctad prevê que, neste ano, a retração da economia global seja de 2,7%; para os países em desenvolvimento, a previsão é de crescimento de 1,3%. Para 2010, a previsão é de um crescimento de 1,6% no PIB mundial.
Para a América Latina, a projeção é de encolhimento de 2% da economia; para o Brasil, o órgão também prevê retração, de 0,8%.