O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira (1º), ao detalhar as novas regras de exploração do pré-sal, que nenhuma empresa conhece o trabalho em águas ultraprofundas tão bem quanto a Petrobras. De acordo com o novo marco regulatório detalhado na segunda-feira (31) pelo governo federal, a empresa será exploradora de todas as fontes de petróleo em águas profundas e terá pelo menos 30% de participação em cada área.
Entenda a importância do pré-sal
Segundo ele, a empresa tem "capacitação específica" para explorar o pré-sal. "Quem conhece mais o pré-sal no mundo? (...) Ela de fato é a melhor opção. A melhor é a Petrobras", afirmou. Ele afirmou, porém, que outras empresas não serão excluídas. "(A Petrobras) tem uma longa experiência de associação. (...) E está prevista a associação com outras", disse.
Escala
O presidente da companhia afirmou que a descoberta das reservas em águas ultraprofundas – que estão entre 9 bilhões e 14 bilhões de barris já comprovados – ocorre em um momento em que a empresa está capacitada. Ele disse que a empresa já opera a maior parte das áreas do pré-sal. "Não somos somente o maior operador, mas somos a maior frota de operação de águas profundas do mundo. Somos operadores de 88% das operações em mar no Brasil."
Gabrielli afirmou também que, por conta de sua escala, a Petrobras é também a maior compradora de equipamentos para exploração de petróleo em águas ultraprofundas no mundo.
"Dessa maneira, termos um poder de escala gigantesco, seria uma irresponsabilidade se não usássemos esse poder de barganha", frisou o executivo, afirmando que a empresa tem "capacitação financeira, tamanho suficiente de escala para viabilizar um enorme programa de expansão da cadeia produtiva nacional".
Capitalização indefinida
Gabrielli afirmou ainda que qualquer valor que for dado no momento sobre o tamanho da operação de capitalização da Petrobras é "especulação infundada".
Na segunda-feira (31), o governo federal anunciou o plano de capitalizar a empresa com o equivalente a aproximadamente 5 bilhões de barris de petróleo.
Segundo Gabrielli, o valor final da operação vai depender do preço que for estimado para o barril do petróleo, que por sua vez dependerá das condições do local onde estará esse óleo.
"Nós não estamos validando nenhum número. Vai depender da área que for definida, da potencialidade da área, dos investimentos necessários, são variáveis que hoje não estão determinadas", afirmou Gabrielli a jornalistas.
"Portanto nós não estamos dizendo nenhum valor relativo ao preço do barril", acrescentou. Na véspera, circularam algumas estimativas, em Brasília, sobre o tamanho financeiro da operação da capitalização da Petrobras.
O senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, afirmou que a capitalização poderia chegar a US$ 50 bilhões, considerando um valor de US$ 10 para o barril de petróleo em estoque (nas reservas).
Esse seria, segundo ele, um valor aproximado do barril descontando os custos de produção.