O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e sua esposa, Maria Villela, encontrados mortos na segunda-feira (31) no apartamento em que moravam, em Brasília, foram enterrados no começo da noite desta terça (1o), no Cemitério Campo da Esperança. O velório foi acompanhado por dezenas de parentes, amigos e autoridades.

O casal e a empregada, identificada como Francisca, foram esfaquiados, segundo a Polícia Civil de Brasília.De acordo com a delegada titular da 1a DP, Martha Vargas, a principal hipótese do crime é a de latrocínio – roubo seguido de morte. Ela, no entanto, não descarta outras hipóteses, apesar de considerar que a intenção dos suspeitos foi roubar joias da família.

Durante o velório, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse lamentar a forma como ocorreram as mortes. “É uma perda muito grande que estamos tendo, sobretudo da maneira trágica como aconteceu. O José Guilherme Villela é um dos juristas mais competentes de seu tempo, com um caráter incorruptível e que deixa um exemplo da correção de advogado, do brilhantismo que exerceu sua carreira e a integriadade com que ele levava a sua função”, disse Sarney.

Ele acrescentou que a morte de Villela representa uma perda para o Brasil. “Eu acho uma perda para o mundo jurídico e muito mais ainda para toda comunidade brasileira, de Brasília sobretudo, pelo que ele sempre representou. Eu era muito amigo dele”, completou. Villela foi advogado de Sarney.

Para o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence, o amigo José Guilherme Villela, de 73 anos, era um dos grandes advogados do país. “Ele era um dos maiores advogados da nossa geração. Estou absolutamente perplexo. O que eu sinto neste momento é dor”, disse.

Já o ministro da Controladoria-Geral da União Jorge Hage, vizinho das vítimas, classificou Villela como uma pessoa tranquila e brilhante. “Ele era uma das pessoas mais tranquilas, pacatas e serenas que conheci. Um brilhante advogado que deixa uma lacuna enorme. É extremamente difícil imaginar o motivo pelo qual aconteceu uma situação estúpida como essa”, lamentou. Ele disse ter encontrado com o ex-ministro na semana passada. “Ele caminhava quase todas as manhãs na quadra”, acrescentou.

Diversas autoridades foram até o Cemitério Campo da Esperança para prestar uma última homenagem ao ex-ministro e a sua esposa. Além de Sarney, Sepúlveda Pertence e Jorge Hage, passaram pelo local o ministro do STF Marco Aurélio Mello, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Arnaldo Versiani e Marcelo Ribeiro, além dos ex-ministros da Corte Eleitoral Sepúlveda Pertence e Fernando Neves, entre outros.

Crime

Os três corpos foram encontrados na noite de segunda-feira (31), na quadra residencial 113 Sul, em Brasília. No apartamento, que fica no sexto andar, não havia sinais de arrombamento. Foi uma neta do casal que avisou a polícia.

Desde sexta-feira (28), José Guilherme Villela e a esposa não eram vistos no escritório da família. Como a neta não conseguiu falar com os avós por telefone, levou um chaveiro para abrir a porta do apartamento. A polícia foi acionada e chegou ao local na noite de segunda-feira.

Mineiro da cidade de Manhuaçu, Villela foi para Brasília nos anos 60. Foi procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF), e, já na década de 80, ministro do TSE. Como advogado, atuou na defesa do ex-presidente Fernando Collor, no processo que culminou no impeachment em 1992, e, recentemente, no processo do mensalão.