Egressa do PT após 30 anos de militância, a senadora Marina Silva (AC) aproveitou a filiação ao PV neste domingo para relembrar o início de sua trajetória política ao lado de Chico Mendes, seringueiro e sindicalista acreano assassinado há quase 21 anos. Marina disse que Mendes foi seu "professor" nas militância em causas políticas e de preservação ambiental da Amazônia.

"No Acre, o PV foi criado pela vontade do Chico Mendes", afirmou Marina. Tal como a nova filiada, a Executiva Nacional do PV tratou de vincular o ato político à memória do seringueiro e ativista ambiental. Diversas faixas e cartazes com a imagem de Chico Mendes foram espalhadas pelos salões da casa de eventos onde Marina foi recebida pela militância do partido.

A filha de Mendes, Elenira, foi uma das personalidades que abonaram a entrada de Marina no PV. Em retribuição ao gesto, a senadora elogiou a atuação do seringueiro na preservação da Amazônia e na consolidação da própria entrada dela na vida pública.

"Elenira, o seu pai foi o meu professor. Espero que eu possa fazer por você o mesmo que ele fez por mim", disse Marina. Nos anos 1980, Marina trabalhou ao lado de Mendes no sindicato dos trabalhadores rurais de Xapuri, que entrou em conflito com produtores da região devido à devastação da floresta amazônica.

Mendes foi morto na porta de sua casa, em 22 de dezembro de 1988. Nascido em Xapuri (AC), em 1944, fundou o PT no Acre e, meses antes de sua morte, auxiliou o PV a se formar na região Norte com a participação de militantes petistas. Em 2007, foi criada a ONG Instituto Chico Mendes, que se dedica a projetos de educação ambiental para a Amazônia.