Personagem central do afastamento do comandante do policiamento de Canoas, o motorista Ernesto Corrêa acusava na noite desta sexta-feira os golpes físicos e psicológicos que teria sofrido na última quarta-feira. Depois de um desentendimento com policiais militares, Corrêa foi retirado à força do ônibus que conduzia além de, segundo ele, ter sido agredido pelos PMs. Assista ao vídeo da ação.
Segundo ele, as dores no corpo ainda são fortes, mas podem ser curadas. O que mais preocupa é o medo de sair de casa.
— Ainda estou muito abalado. Não consigo dormir direito. Depois que me tiraram de dentro do ônibus, me levaram para uma rua escura e bateram muito em mim. Estou com dor na cabeça e no ouvido e muito assustado. Ameaçaram a minha família, caso eu tome alguma atitude contra eles — revelou.
Na tarde desta sexta-feira, Corrêa realizou exame de corpo de delito. Receoso, afirma que ainda não sabe se tomará alguma atitude contra os policiais:
— Vou avaliar bem com a minha família.
O desentendimento começou quando Corrêa, que conduzia o ônibus da linha Centro-Mathias Velho, percebeu que uma passageira estava passando mal. Na tentativa de oferecer um atendimento mais rápido para a vítima, parou em frente à sede do 15º BPM, responsável pelo policiamento em Canoas. Pediu para que alguma viatura levasse a mulher até ao Hospital de Pronto Socorro, mas, segundo ele, não teve seu pedido atendido:
— Ele (o policial) disse que a viatura não é ambulância, que era para levar no ônibus. Eu falei que tinha uns 60 passageiros, e ele disse 'leva tudo junto'. Eu disse que isso não era jeito de falar comigo, que era falta de respeito. Daí ele me disse que me prenderia por desacato à autoridade — afirmou.
Corrêa voltou ao ônibus e levou a passageira até o HPS. Depois de retirar a mulher do ônibus, os policiais efetuaram a prisão. O motorista relutou em deixar o ônibus e acabou sendo retirado à força. De acordo com ele, os policiais ainda o agrediram.
Depois do ocorrido o Comando Geral da Brigada Militar decidiu afastar o tenente-coronel Carlos Roberto Bondan do cargo de comandante do policiamento do município.
Segundo Bondan, não havia como retirar a passageira do ônibus porque ela estava sofrendo um ataque epiléptico. Já a prisão foi justificada pelo suposto desacato.
— O policial entrou no ônibus com o intuito de retirar a pessoa, mas viu que era impossível. Essa decisão do soldado revoltou o motorista, que passou a proferir impropérios ao policial, que acabou prendendo ele em flagrante por desacato — explicou Bondan.
— Para imobilizar o indivíduo, que estava agarrado, foi necessário retirar. Realmente eu acho que o numero de policiais foi até para evitar agressões ou a reação — disse o policial.
Bondan não comenta as possíveis agressões mencionadas por Corrêa.
— Estas denúncias vão ser apuradas. Até onde foi a prisão estava tudo tranquilo. Se houve excesso, vai ser investigado — finalizou Bondan.