Um fato inusitado ocorre este ano na política brasileira, três mulheres, entre elas uma alagoana são fortes candidatas a presidência da república. Dilma Roussef, Marina Silva e Heloísa Helena tem grandes chances de fazer com quê o Brasil tenha pela primeira vez uma presidente mulher.

A participação de mulheres na política brasileira ainda é pequena, embora tenha apresentado um crescimento significativo desde 1990. Mas, em Alagoas ela já pode ser considerada expressiva, visto que das vinte e uma cadeiras da Câmara Municipal de Maceió, sete são ocupadas por
mulheres, o que representa 33,3%, sendo que a média brasileira é de 12,5%. Já na Assembléia Legislativa duas mulheres contrariam o cenário político da casa, que tem vinte e três deputados.

Partidos políticos já incentivam a participação feminina no Estado, para que além de eleitoras elas se filiem e se tornem candidatas. Consideradas pioneiras e ícones, a primeira deputada federal de Alagoas, Ceci Cunha e Heloísa Helena, eleita primeira senadora do Estado e que teve a maior votação proporcional entre todos os vereadores do país em 2008, despertaram a articulação feminina na luta por igualdade também na política.

O voto feminino no Brasil foi instituído há 75 anos, quando em 1934 foi consolidado o Código Eleitoral, retirando as exigências do Código Eleitoral Provisório de 1932, que permitia o voto com a imposição de que só as casadas com o aval do marido ou as viúvas e solteiras com renda própria teriam permissão para exercer o direito de votar e serem votadas. Em 1946 o voto feminino passou a ser obrigatório também para as mulheres.

Segundo o cientista político Alberto Saldanha, a política ainda pode ser considerada machista, mas ações da sociedade civil e da justiça eleitoral podem mudar esse contexto. Ele reafirmou que as mulheres se destacam na política por possuírem mais sensibilidade para determinados assuntos e que de nada adianta se 50% das vagas nos partidos forem destinadas a elas se não houver mobilização.

“Essa participação vai crescer na medida em que houver equiparação nas responsabilidades e a legislação pode ajudar. As relações precisam mudar para as mulheres ocuparem cada vez mais os espaços políticos. A desilusão com a política ainda existe em ambos os sexos”, destacou
Alberto.

A deputada estadual, Flávia Cavalcante (PMDB/AL), eleita com 26271 votos (1,92%), afirmou que na Assembléia Legislativa, apesar da quantidade de homens, não há preconceito quanto ao tratamento, embora haja grupos que tomam decisões isoladas. Flávia acredita que as mulheres só precisam de oportunidades para mostrarem a capacidade em ocupar cargos no Poder Executivo e Legislativo.

“As mulheres já não querem ser apenas eleitoras. Quando temos oportunidade retribuímos com trabalho e competência. Alguns partidos acham mais fácil dizer que não há interesse feminino do que reconhecer que não abrem espaço. Mesmo assim, ‘metemos’ a cara e embora os escândalos existam em todos os lugares, somos mais responsáveis e dificilmente estamos envolvidas neles”, ressaltou a deputada.

Flávia Cavalcante lamentou que ainda haja eleitoras que não votam em mulheres, por acharem que os homens são mais preparados. “Algumas não estão prontas para essa mudança, mas nosso objetivo é mobilizar e conseguir mais cargos, porque existe preconceito também se a pessoa é alta ou magra demais. Precisamos superar isso, mostrando segurança”.

Para a vereadora Rosinha Cavalcante (PtdoB) que foi eleita com mais de 8 mil votos, a experiência na política tem sido positiva e a população maceioense ganhou com a quantidade de vereadoras eleitas, já que mesmo atuando em áreas diferentes, elas se unem e estãos se politizando cada vez mais.

“Antes as mulheres viviam á sombra dos homens, mas como maioria dos eleitores, isso está mudando. A atuação mais expressiva ainda vai passar por longo processo e há um conjunto de medidas que devem ser tomadas para que isso aconteça. Mas, em breve também vamos disputar a lei de cotas. Temos vontade de mudar, de marcar a história e estamos cheias dessa corrupção, que independe de sexo. Queremos fazer diferente", ressaltou a vereadora.

Projeto de Reforma política

O projeto diminuiu de 10% para 5% a quantidade mínima dos recursos do fundo partidário que o partido deve usar para criar e manter programas destinados a promover a participação das mulheres na política partidária. O partido que não cumprir essa regra deverá aumentar esse percentual em 2,5% no ano seguinte.