O Ministério Público do Paraná denunciou, no final da tarde de quarta-feira (26), o ex-deputado estadual Fernando Carli Filho, 26, pelas mortes de dois jovens em um acidente de trânsito, ocorrido em maio deste ano em Curitiba (PR).

O ex-deputado foi denunciado (acusado formalmente) por duplo homicídio qualificado com dolo eventual (quando é assumido o risco de produzir o crime), por dirigir embriagado e por violar a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Os autos foram encaminhados para duas varas do Tribunal do Júri de Curitiba, que avaliam a denúncia contra o ex-deputado. Caso a Justiça aceite a denúncia do Ministério Público, e ele seja condenado, Carli Filho pode pegar entre 15 a 30 anos de prisão --segundo a Promotoria.

Na ocasião do acidente, ele dirigia embriagado, com a carteira de habilitação suspensa e 167 km/h, segundo dados da Polícia Civil. À polícia, o ex-deputado afirmou, em depoimento, não se lembrar de nada que ocorreu no dia do acidente.

A reportagem ainda não conseguiu localizar os advogados de Carli Filho para comentar a denúncia.

Acidente

O acidente ocorreu na madrugada do dia 7 de maio, quando o carro guiado pelo ex-deputado, um Volkswagen Passat, colidiu com um Honda Fit ocupado pelos jovens no bairro Mossunguê, em Curitiba. Gilmar Rafael Souza Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, morreram na hora. Carli Filho passou quase um mês internado em um hospital em São Paulo, onde passou por uma cirurgia para a correção de fraturas na face e crânio.

Segundo exame realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) do Paraná, Carli dirigia com dosagem alcoólica acima do estabelecido. Na ocasião, o deputado estava com a carteira de habilitação suspensa porque excedia o total de pontos permitidos --totalizava 130 pontos, acima dos 20 estabelecidos para que o motorista tenha o direito de dirigir suspenso. De acordo com informações do Detran, o deputado possuía 30 multas, desde 2003. Destas, 23 eram por exceder limites de velocidade. Carli Filho recorreu de 12 das 30 multas.

Ele renunciou ao mandato de deputado estadual no final de maio, após a família de um dos jovens protocolar um pedido de cassação.